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AS QUESTÃO DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
------------TEXTO
1----------------O Brasil, como colônia submetida ao mais estrito monopólio, cresceu isolado do mundo,
2-----apenas convivendo com aquele Portugal pobre e retrógrado. Tão retrógrado que proibia expressamente
3-----a importação e venda de livros e punia severamente a instalação de qualquer tipografia. Tão
4-----obscurantista que não permitiu a criação de um sistema popular de ensino no Brasil e, menos ainda, de
5-----escolas superiores, ao tempo em que a Espanha mantinha cerca de duas dezenas de universidades em
6-----suas colônias. Assim, o Brasil emerge para a Independência sem nenhuma universidade, com sua
7-----população analfabeta e iletradas também suas classes dominantes. Em face dos 150 mil graduados
8-----pelas universidades hispano-americanas durante o período colonial, o Brasil contou com cerca de 2.500
9-----graduados em Coimbra. No momento da Independência, o país teria apenas umas poucas centenas de
10-----patrícios nativos com formação universitária, aos quais se somariam alguns milhares de fâmulos
11-----letrados expulsos de Portugal com a Corte. Aqueles poucos doutores graduados em Coimbra e estes
12----cortesãos que ficaram no país é que enfrentaram a tarefa de institucionalizá-lo como uma nação
13----autônoma, de criar seus sistemas de ensino primário, médio, e superior e de promover a criatividade
14----cultural erudita.
15----------( ... ) à defasagem cultural se somaram efeitos globais de perpetuação da estrutura social
16----arcaica e de congelamento de alienação cultural, como obstáculo capital à superação do atraso. Com
17----efeito, uma sociedade que não incorpora o saber e as inovações tecnológicas do seu tempo não chega
18----a experimentar as transformações estruturais a eles correspondentes, permanecendo arcaica em amplas
19----esferas e reflexamente modernizada em outras. E, devido a isto, traumatizada pela interação conflitiva
20----entre conteúdos assincrônicos da cultura e da sociedade.
21----------A alienação cultural consiste, em essência, na introjeção espontânea ou induzida em um povo
22----da consciência e da ideologia de outrem, correspondente a uma realidade que lhe é estranha e a
23----interesses opostos aos seus. Vale dizer, à adoção de esquemas conceituais que escamoteiam a
24----percepção da realidade social em beneficio dos que dela se favorecem, Ou ainda à criação autônoma
25----de representações consoladoras ou justificatórias do atraso que desviam a atenção de suas causas reais
26----para destacar, tão-somente, causas supostas.
27----------Correspondem à primeira categoria de alienações muitas das concepções oriundas de todas as
28----matrizes da cultura brasileira, sobretudo as das populações subjugadas, cujos corpos de crenças
29----arcaicas, incapazes de explicar objetivamente a nova realidade, operaram como mistificações que
30----contribuem para perpetuar a dependência. Sobressaem, contudo, por seus efeitos alienantes, os
31----conteúdos oriundos da matriz dominadora. Esta, ao lado das técnicas produtivas, dos procedimentos
32----empresariais e das formas de contingenciamento da população para o trabalho, introduziu todo um
33----corpo de doutrinas religiosas e leigas dignificadoras do homem branco e mistificadoras da dominação
34----colonial tida como um encargo divino dos povos mais adiantados em relação aos mais atrasados
35----------Correspondem à segunda categoria os esforços autóctones das elites eruditas por criar
36----representações fantasistas que buscavam explicar o atraso colonial como uma fatalidade inelutável,
37----decorrente da impropriedade do clima, da inferioridade das raças, difundindo atitudes de resignação
38----com o atraso. As representações concernentes à "raça" impregnaram toda a população. Foram até
39----alçadas à condição de teoria explicativa do atraso, que tomava uma inferioridade histórica, embora
40----efetiva, dos índios e negros avassalados, como prova de inaptidão congênita para o progresso. Estas
41----apreciações sobre a "raça" não só levam o branco mais humilde a sentir-se superior a qualquer preto,
42----mulato ou mestiço, como também levam a estes a reconhecer sua própria inferioridade como inata e
43----inelutável.
44----------Tais estereótipos raciais, difundindo-se numa sociedade constituída majoritariamente por
45----"gente de cor", representam obviamente uma enorme carga de amargura. Tidas como verdades
46----porque sacramentadas com o poderio do consenso, essas representações, mesmo quando
47----atenuadas, se consolidam mais ainda. Este é o caso da "branquização social" de todo negro ou mulato
48----bem sucedido; das apreciações senhoriais de trato afetuoso para com a mucama doméstica ou para com
49----o negro que permanecesse humilde e trabalhador; e dos louvores à negra e à mulata como fêmeas.
50----Tanto nas suas formas mais brutais de tratamento do negro do eito como animal tosco e boçal, quanto
51----nas atenuadas, aquelas representações exercem a função de manter a estrutura de poder. Umas e outras
52----criam barreiras impeditivas da unificação das camadas subalternas contra as dominantes, isolando os
53----brasileiros claros dos escuros e tornando sua conscientização extremamente difícil. Obstaculizando a
54----ascensão social das pessoas que conduzem marcas raciais mais nítidas de sua ancestralidade negra,
55----mas admitindo alguns casos excepcionais, fazem crer que a posição superior de toda a classe dominante
56----decorre de qualidades inatas que só raramente comparecem em gente oriunda de pretos e de índios.
RIBEIRO, Darcy. Os brasileiros: I - Teoria do Brasil. 12. ed. Petrópolis: Vozes, 93, p. 149-52.
Atente para as frases:
1. “que proibia expressamente a importação e venda de livros” (L.2/3).
2. “...que ficaram no país” (L.12).
3. “...que a posição superior de toda a classe dominante decorre de qualidades inatas” (L.55/56).
O vocábulo “que” destacado nos períodos em evidência é classificado, respectivamente, como
Conjunção subordinativa adverbial, pronome relativo, conjunção integrante.
Pronome relativo, conjunção integrante, pronome relativo.
Conjunção integrante, pronome reativo, pronome relativo.
Pronome relativo, pronome relativo, pronome relativo.