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Observe as relações de sentido que os trechos (I) e (II)...

Leia o texto, para responder às questões de números 18 a 20.


Os estereótipos são numerosos. Os grupos étnicos são estereotipados, os cidadãos de outras nações e religiões são estereotipados, os gêneros e as preferências sexuais são estereotipados, as pessoas nascidas em várias épocas do ano são estereotipadas (astrologia solar) e as ocupações são estereotipadas. A interpretação mais generosa atribui esse modo de pensar a uma espécie de preguiça intelectual: em vez de julgar as pessoas pelos seus méritos e deficiências individuais, nós nos concentramos em uma ou duas informações a seu respeito, que depois inserimos num pequeno número de escaninhos previamente construídos.

Isso poupa o trabalho de pensar, embora em muitos casos custe o preço de cometer uma profunda injustiça. Com isso, aquele que pensa por estereótipos também fica protegido do contato com a enorme variedade de pessoas, a multiplicidade de maneiras de ser humano. Mesmo que a estereotipagem seja válida em média, está fadada a fracassar em muitos casos individuais: a variação humana passa por curvas do tipo sino. Há um valor médio de qualquer qualidade, e números menores de pessoas sumindo em ambos os extremos.

Parte da estereotipagem resulta de não se saber controlar as variáveis, de esquecer os outros fatores que podem estar em jogo. Por exemplo, quase não havia mulheres fazendo ciência. Muitos cientistas masculinos eram veementes: isso provava que as mulheres não tinham a capacidade de fazer ciência. Por temperamento, o trabalho não lhes convinha, era demasiado difícil, requeria um tipo de inteligência que as mulheres não têm, elas são emotivas demais para ser objetivas, dá para imaginar grandes físicas teóricas? ... e assim por diante. Desde então, as barreiras vêm desmoronando. Hoje as mulheres povoam a maioria das subdisciplinas da ciência. Em minhas próprias áreas de astronomia e estudos planetários, as mulheres têm recentemente irrompido na cena, fazendo descoberta após descoberta e providenciando um sopro de ar fresco de que necessitávamos desesperadamente.


(Carl Sagan, Maxwell e os “nerds”. O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro.)

Observe as relações de sentido que os trechos (I) e (II), destacados nas passagens, estabelecem em seus respectivos contextos:


Isso poupa o trabalho de pensar, (I) embora em muitos casos custe o preço de cometer uma profunda injustiça.


(II) Mesmo que a estereotipagem seja válida em média, está fadada a fracassar em muitos casos individuais.


É correto afirmar que ambos os trechos expressam contraste por concessão, sendo que


A

em (I) e (II) o que se afirma coloca-se como imprescindível para a consecução das ações descritas nos respectivos contextos.


B

em (I) a informação se apresenta como hipótese não confirmada; em (II) uma informação é apresentada como algo que concorre para a realização de uma ação.


C

em (I) é introduzida uma informação apresentada como fato; em (II) um fato é apresentado como irrelevante para a realização do que se afirma na sequência.


D

apenas em (I) a informação se apresenta como algo determinante do que se imagina que possa ocorrer na afirmação precedente.


E

apenas em (II) os dados de realidade são previsíveis para surtir o efeito apontado na ação que se projeta no futuro.