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Assinale a alternativa correta a respeito dos trechos do...

Leia a crônica de Marcos Rey para responder às questões de números 01 a 06.


Gente que vai à feira


A feira é a praia do paulistano. Muita gente vai mais para tomar sol e encontrar amigos. Compras, um pretexto. A que frequento, a do Pacaembu, tem até areia, devido a obras da prefeitura.

Em minha infância, a feira representava um castigo. Minha mãe sempre me levava à do Arouche, então a mais espaçosa e tradicional da cidade, para ajudar a carregar as cestas. Eu, que tinha o privilégio de ir ao cinema mais vezes do que qualquer garoto da rua, não podia negar-lhe essa ajuda. Sofria. Sofrimento já sentido na sexta à noite, porque sabia o que me esperava na manhã seguinte. Para que eu não fizesse cara feia, ela me comprava maçã, tremoço e rapadura. Dinheiro perdido. Nada compensava a chateação.

Já na mocidade, a feira novamente veio ao meu encontro, pois instalaram uma justamente na rua onde eu morava, nos Campos Elísios. Às 4 da matina, os caminhões começavam a descarregar toneladas de mercadorias debaixo da minha janela. Dava para dormir?

Somente décadas depois me reconciliei com esse tipo de comércio. Minha mulher é que, aos poucos, me foi revelando o encanto e os inesperados das feiras. A graça e mesmo a poesia que resultam dessa atividade a céu aberto. Para ela, os feirantes são gente boa, todos saudáveis, alegrões e solidários. E sabem preencher qualquer espaço com um gostoso clima de descontração. Minha mulher conhece a maioria pelo nome. Se por acaso esqueceu o cartão, pode levar a compra assim mesmo.

Na feira, de longe se distinguem as pessoas honestas. São as paredes, os recintos fechados, talvez, que camuflam o mau-caratismo. Entre os feirantes, na transparência da manhã, a má intenção logo é flagrada e muitas vezes acaba em corrida e pescoção.

Atualmente, feira deixou de ser coisa só de mulher. E elas próprias já não as frequentam sem antes um encontro com o espelho. Alguma displicente vaidade matutina se faz necessária.


(Coleção melhores crônicas: Marcos Rey. Seleção de Anna Maria Martins. Global, 2010. Adaptado.)

Assinale a alternativa correta a respeito dos trechos do texto.


A

Em “Muita gente vai mais para tomar sol e encontrar amigos.” e “Para ela, os feirantes são gente boa, todos saudáveis...”, a preposição para sinaliza finalidade.


B

Em “Compras, um pretexto.”, a vírgula indica a supressão de palavras e, no contexto, pode ser substituída corretamente por jamais são.


C

Em “A que frequento, a do Pacaembu, tem até areia, devido a obras da prefeitura.”, a preposição até indica inclusão e nota-se a pretensão do cronista de dar um tom humorístico ao trecho.


D

Em “Já na mocidade, a feira novamente veio ao meu encontro, pois instalaram uma justamente na rua onde eu morava...”, os termos destacados exprimem circunstância adverbial de lugar.


E

Em “São as paredes, os recintos fechados, talvez, que camuflam o mau-caratismo.”, o termo destacado está em sentido próprio, significando potencializam.