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Leia o texto para responder às questões de números 06 a 10.
Adultos incapazes de se orientar
Professores de uma escola de elite me contaram algo espantoso. Perguntaram aos alunos o que aconteceria se caminhassem sempre em frente, pela calçada diante da escola, sem atravessar a rua. Pouquíssimos deles sabiam que voltariam à frente do colégio. Como sempre se deslocavam pela cidade de carro, não sabiam que a calçada de um quarteirão forma um quadrado, e que, se você segui-la, volta ao mesmo lugar.
O ser humano nasce com enorme capacidade de se orientar no ambiente em que vive. Prova disso é que indígenas, em florestas tropicais densas, são capazes de caminhar dias de uma aldeia a outra sem se perder. Mas isso depende de treino e prática, como mostra claramente o exemplo dos alunos dessa escola.
A novidade é que os cientistas conseguiram demonstrar que adultos têm diferentes capacidades de orientação dependendo de onde passaram a infância. Qual seria a capacidade de alguém que cresceu no campo? E como ela se compara com a de quem cresceu em cidades organizadas ou em cidades que parecem um labirinto?
Para conseguir medir objetivamente a capacidade de orientação de milhares de adultos que cresceram em diferentes ambientes, os cientistas usaram o jogo de computador Sea Hero Quest (SHQ), desenvolvido para pacientes com Alzheimer. O jogador tem de se orientar em um labirinto de canais ou ruas para sair de um ponto e chegar a outro. Em cada nível, o desafio fica mais complexo, e já foi demonstrado que o sucesso nesse jogo mede muito bem a capacidade de orientação de pessoas saudáveis no mundo real.
Os cientistas usaram dados de 3,9 milhões de jogadores de SHQ e pediram para eles preencherem um questionário sobre onde passaram a infância. Analisaram-se os mapas das cidades em que os 397.162 exitosos no desafio haviam crescido. Constatou-se que o sucesso no jogo é maior quanto maior é a complexidade do ambiente onde a pessoa cresceu.
Quem teve poucos desafios na infância tem menos vantagens no jogo e menor capacidade de se orientar. É uma lição importante: nas cidades de baixa complexidade, privamos crianças de desenvolverem a capacidade de orientação. Mas tudo bem, existe o Waze para sanar essa deficiência educacional...
(Fernando Reinach. https://ciencia.estadao.com.br. Publicado em 26.08.2022. Adaptado)
Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de concordância verbal e nominal.
Deve haver pessoas que, desprovidas de senso de orientação, sentem-se perdidas em metrópoles como São Paulo.
Na aquisição pessoal de habilidades para poder se orientar, fazem diferença habitar em cidades planejadas ou não planejadas.
Os desafios propostos pelo SHQ tem validade não só para portadores de Alzheimer como para pessoas saudáveis.
Entre os inúmeros participantes do jogo, destacou-se 397.162 que, posteriormente, se tornaram objeto de pesquisa.
Como deve agir aqueles que não sabem se localizar em um ambiente e não dispõem de aplicativos como o Waze?