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TEXTO I
Conversa telefônica
Clarice Lispector
Uma grande amiga minha se deu ao trabalho de ir anotando numa folha de papel o que eu lhe dizia numa conversa telefônica.
Deu-me depois a folha e eu me estranhei, reconhecendo-me ao mesmo tempo. Estava escrito: “Eu às vezes tenho a sensação de que estou procurando às cegas uma coisa; eu quero continuar, eu me sinto obrigada a continuar.
Sinto até uma certa coragem de fazê-lo. O meu temor é de que seja tudo muito novo para mim, que eu talvez possa encontrar o que não quero.
Essa coragem eu teria, mas o preço é muito alto, o preço é muito caro, e eu estou cansada. Sempre paguei e de repente não quero mais. Sinto que tenho que ir para um lado ou para outro. Ou para uma desistência: levar uma vida mais humilde de espírito, ou então não sei em que ramo a desistência, não sei em que lugar encontrar a tarefa, a doçura, a coisa.
Estou viciada em viver nessa extrema intensidade.
A hora de escrever é o reflexo de uma situação toda minha. É quando sinto o maior desamparo.”
Disponível em: <www.revistaprosaversoearte.com>. Acesso em: 20 fev. 2021.
Leia o trecho a seguir.
“Sempre paguei e de repente não quero mais.”
Assinale a alternativa em que o acréscimo de sinais de pontuação não altera a interpretação desse trecho.
Sempre paguei. E, de repente, não quero mais.
Sempre. Paguei e de repente não quero mais.
Sempre paguei e de repente. Não quero mais.
Sempre paguei e de repente não. Quero mais.