

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
Instrução: Todas as questões da prova de Língua Portuguesa referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Nossa imaginação precisa da literatura mais do que nunca
01 ____ Vamos partir de uma situação que grande parte de nós já vivenciou. Estamos saindo
02 do cinema, depois de termos visto uma adaptação de um livro do qual gostamos muito. Na
03 verdade, até que gostamos do filme também: o sentido foi mantido, a escolha do elenco foi
04 adequada, e a trilha sonora reforçou a camada afetiva da narrativa. ............, então, sentimos
05 que algo está fora do lugar?
06 ____ O que sempre falta em um filme sou eu. Parto dessa ideia simples e poderosa, sugerida
07 pelo teórico Wolfgang Iser em um de seus livros, para afirmar que nunca precisamos tanto ler
08 ficção e poesia quanto hoje, ............ nunca precisamos tanto de faíscas que ponham em
09 movimento o mecanismo livre da nossa imaginação. Nenhuma forma de arte ou objeto cultural
10 guarda a potência escondida por aquele monte de palavras impressas na página.
11 ____ Essa potência vem, entre outros aspectos, do tanto que a literatura exige de nós, leitores.
12 Não falo do esforço de compreender um texto, nem da atenção que as histórias e poemas exigem
13 de nós – embora sejam incontornáveis também. Penso no tanto que precisamos investir de
14 nós, como sujeitos afetivos e como corpos sensíveis, para que as palavras se tornem um mundo
15 no qual penetramos.
16 ____ Somos bombardeados todo dia, o dia inteiro, por informações. Estamos saturados de
17 dados e de interpretações. A literatura – para além do prazer intelectual, inegável – oferece algo
18 diferente. Trata-se de uma energia que o teórico Hans Ulrich Gumbrecht chama de “presença”
19 e que remete a um contato com o mundo que afeta o corpo do indivíduo para além e para
20 aquém do pensamento racional.
21 ____ Muitos eventos produzem presença, é claro: jogos e exercícios esportivos, shows de
22 música, encontros com amigos, cerimônias religiosas e relações amorosas e sexuais são
23 exemplos óbvios. ............, então, defender uma prática eminentemente intelectual, como a
24 experiência literária, com o objetivo de “produzir presença”, isto é, de despertar sensações
25 corpóreas e afetos? A resposta está, como já evoquei mais acima, na potência guardada pela
26 ficção e a poesia para disparar ___ imaginação. Mas o que é, afinal, a imaginação, essa noção
27 tão corriqueira e sobre a qual refletimos tão pouco?
28 ____ Proponho pensar a imaginação como um espaço de liberdade ilimitada, no qual, a partir
29 de estímulos do mundo exterior, somos confrontados (mas também despertados) a responder
30 com memórias, sentimentos, crenças e conhecimentos para forjar, em última instância, aquilo
31 que faz de cada um de nós diferente dos demais. A leitura de textos literários é uma forma
32 privilegiada de disparar esse mecanismo imenso, ........... demanda de nós todas essas reações
33 de modo ininterrupto, exige que nosso corpo esteja ele próprio presente no espaço ficcional com
34 que nos deparamos, sob pena de não existir espaço ficcional algum.
35 ____ Mais ainda, a experiência literária nos dá a chance de vivenciarmos possibilidades que, no
36 cotidiano, estão fechadas ___ nós: de explorarmos essas possibilidades como se estivéssemos,
37 de fato, presentes. E a imaginação é o palco em que a vivência dessas possibilidades é encenada,
38 por meio do jogo entre identificações e rejeições.
39 ____ Resta pensar ............... é tão importante encenar possibilidades. Em primeiro lugar,
40 como o escritor Bernardo Carvalho destacou recentemente, estamos vivendo uma confusão
41 generalizada entre realidade e representação artística, em que esta última vem sofrendo
42 sanções violentas, por se haver perdido a medida da diferença entre o real e a retomada desse
43 real em obras artísticas. Carvalho inicia seu texto afirmando, muito acertadamente, que rejeitar
44 ou proibir as representações ficcionais do horror que há no mundo é sintoma de um desespero
45 – o desespero causado pela impossibilidade de eliminarmos o horror real. Além disso, diz ele
46 mais adiante, recusar a legitimidade ou a existência de determinadas obras de arte denota o
47 temor ___ ambivalência dos nossos próprios desejos, sentimentos e certezas.
48 ____ Aprendemos desde cedo que, para que haja vida em sociedade, não podemos pôr em
49 prática, na vida cotidiana, toda essa ambivalência. Um dos poderes da obra de arte é,
50 precisamente, o de oferecer uma experiência cuja própria premissa é a existência de paradoxos
51 – afinal, a ficção cria um mundo que, fora dela, não existe, mas no qual precisamos acreditar.
52 A imaginação entra em cena para ampliar as contradições, sem, contudo, tornar a experiência
53 incoerente: estamos, agora, no domínio da associação livre e espontânea entre o que lemos, o
54 que lembramos, o que sabemos e sentimos. Idealmente, ao lermos uma obra literária, não
55 caímos na confusão entre a realidade e a representação dela, e sim nos conectamos a uma
56 realidade cotidianamente inacessível, por meio da interação entre o que o texto propõe e a
57 nossa imaginação. Nesta, acessamos aqueles que somos, mas também aqueles que poderíamos
58 ser – maravilhosos ou terríveis.
(Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/22/opinion/1519332813_987510.html - texto adaptado)
Para responder às questões 13 e 14, considere o seguinte trecho retirado do texto:
Nenhuma forma de arte ou objeto cultural guarda a potência escondida por aquele monte de palavras impressas na página.
Analise as seguintes assertivas a respeito do trecho, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) O período é composto por duas orações.
( ) O núcleo do sujeito é ‘Nenhuma’ e o sujeito classifica-se como simples.
( ) O predicado é nominal.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
F – V – V.
F – V – F.
V – F – V.
V – V – F.
F – F – V.