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Para responder às questões 13 e 14, considere o seguinte...

Instrução: Todas as questões da prova de Língua Portuguesa referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.


Nossa imaginação precisa da literatura mais do que nunca


01 ____ Vamos partir de uma situação que grande parte de nós já vivenciou. Estamos saindo

02 do cinema, depois de termos visto uma adaptação de um livro do qual gostamos muito. Na

03 verdade, até que gostamos do filme também: o sentido foi mantido, a escolha do elenco foi

04 adequada, e a trilha sonora reforçou a camada afetiva da narrativa. ............, então, sentimos

05 que algo está fora do lugar?

06 ____ O que sempre falta em um filme sou eu. Parto dessa ideia simples e poderosa, sugerida

07 pelo teórico Wolfgang Iser em um de seus livros, para afirmar que nunca precisamos tanto ler

08 ficção e poesia quanto hoje, ............ nunca precisamos tanto de faíscas que ponham em

09 movimento o mecanismo livre da nossa imaginação. Nenhuma forma de arte ou objeto cultural

10 guarda a potência escondida por aquele monte de palavras impressas na página.

11 ____ Essa potência vem, entre outros aspectos, do tanto que a literatura exige de nós, leitores.

12 Não falo do esforço de compreender um texto, nem da atenção que as histórias e poemas exigem

13 de nós – embora sejam incontornáveis também. Penso no tanto que precisamos investir de

14 nós, como sujeitos afetivos e como corpos sensíveis, para que as palavras se tornem um mundo

15 no qual penetramos.

16 ____ Somos bombardeados todo dia, o dia inteiro, por informações. Estamos saturados de

17 dados e de interpretações. A literatura – para além do prazer intelectual, inegável – oferece algo

18 diferente. Trata-se de uma energia que o teórico Hans Ulrich Gumbrecht chama de “presença”

19 e que remete a um contato com o mundo que afeta o corpo do indivíduo para além e para

20 aquém do pensamento racional.

21 ____ Muitos eventos produzem presença, é claro: jogos e exercícios esportivos, shows de

22 música, encontros com amigos, cerimônias religiosas e relações amorosas e sexuais são

23 exemplos óbvios. ............, então, defender uma prática eminentemente intelectual, como a

24 experiência literária, com o objetivo de “produzir presença”, isto é, de despertar sensações

25 corpóreas e afetos? A resposta está, como já evoquei mais acima, na potência guardada pela

26 ficção e a poesia para disparar ___ imaginação. Mas o que é, afinal, a imaginação, essa noção

27 tão corriqueira e sobre a qual refletimos tão pouco?

28 ____ Proponho pensar a imaginação como um espaço de liberdade ilimitada, no qual, a partir

29 de estímulos do mundo exterior, somos confrontados (mas também despertados) a responder

30 com memórias, sentimentos, crenças e conhecimentos para forjar, em última instância, aquilo

31 que faz de cada um de nós diferente dos demais. A leitura de textos literários é uma forma

32 privilegiada de disparar esse mecanismo imenso, ........... demanda de nós todas essas reações

33 de modo ininterrupto, exige que nosso corpo esteja ele próprio presente no espaço ficcional com

34 que nos deparamos, sob pena de não existir espaço ficcional algum.

35 ____ Mais ainda, a experiência literária nos dá a chance de vivenciarmos possibilidades que, no

36 cotidiano, estão fechadas ___ nós: de explorarmos essas possibilidades como se estivéssemos,

37 de fato, presentes. E a imaginação é o palco em que a vivência dessas possibilidades é encenada,

38 por meio do jogo entre identificações e rejeições.

39 ____ Resta pensar ............... é tão importante encenar possibilidades. Em primeiro lugar,

40 como o escritor Bernardo Carvalho destacou recentemente, estamos vivendo uma confusão

41 generalizada entre realidade e representação artística, em que esta última vem sofrendo

42 sanções violentas, por se haver perdido a medida da diferença entre o real e a retomada desse

43 real em obras artísticas. Carvalho inicia seu texto afirmando, muito acertadamente, que rejeitar

44 ou proibir as representações ficcionais do horror que há no mundo é sintoma de um desespero

45 – o desespero causado pela impossibilidade de eliminarmos o horror real. Além disso, diz ele

46 mais adiante, recusar a legitimidade ou a existência de determinadas obras de arte denota o

47 temor ___ ambivalência dos nossos próprios desejos, sentimentos e certezas.

48 ____ Aprendemos desde cedo que, para que haja vida em sociedade, não podemos pôr em

49 prática, na vida cotidiana, toda essa ambivalência. Um dos poderes da obra de arte é,

50 precisamente, o de oferecer uma experiência cuja própria premissa é a existência de paradoxos

51 – afinal, a ficção cria um mundo que, fora dela, não existe, mas no qual precisamos acreditar.

52 A imaginação entra em cena para ampliar as contradições, sem, contudo, tornar a experiência

53 incoerente: estamos, agora, no domínio da associação livre e espontânea entre o que lemos, o

54 que lembramos, o que sabemos e sentimos. Idealmente, ao lermos uma obra literária, não

55 caímos na confusão entre a realidade e a representação dela, e sim nos conectamos a uma

56 realidade cotidianamente inacessível, por meio da interação entre o que o texto propõe e a

57 nossa imaginação. Nesta, acessamos aqueles que somos, mas também aqueles que poderíamos

58 ser – maravilhosos ou terríveis.


(Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/22/opinion/1519332813_987510.html - texto adaptado)

Para responder às questões 13 e 14, considere o seguinte trecho retirado do texto:


Nenhuma forma de arte ou objeto cultural guarda a potência escondida por aquele monte de palavras impressas na página.


Analise as seguintes assertivas a respeito do trecho, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.


( ) O período é composto por duas orações.

( ) O núcleo do sujeito é ‘Nenhuma’ e o sujeito classifica-se como simples.

( ) O predicado é nominal.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:


A

F – V – V.


B

F – V – F.


C

V – F – V.


D

V – V – F.


E

F – F – V.