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A ditadura do bom
[...] A criação de uma ética para as novas conquistas genéticas que nos garanta “amar o nosso ruim como a nós mesmos” é prioritária no terceiro milênio. Imaginemos o que teria acontecido se nossos ancestrais primatas dispusessem da tecnologia para evitar o diferente e o "outro”. Imaginemos se pudessem ter evitado o Homo sapiens como produto de algo que fosse identificado na época como um rompimento de padrões e um possível convite ao “mal”.
O mundo da excelência e da competição tem que resgatar seu amor ao diferente, ao exótico, ao feito à mão, ao individualizado, ao não-perfeito, à surpresa, ao descontrole e ao imprevisível. Como poderemos tolerar os outros e amá-los, se não toleramos em nós o que é “outro”, o que está fora de padrão e de expectativas?
Não há identidade sem o outro; não há bom sem o ruim; não há bem sem o mal. Essa é a maneira como o ser humano enxerga a tensão da vida. Qualquer tentativa de engenharia que vise extirpar o “outro-ruim” corre o risco de inventar um "bom” monstruoso, que seja desagradável, horrendo e destrutivo. Com certeza o verbo dessa nova frase fundadora do futuro não seria mais o mesmo. Afinal amar é o sentimento capaz de apreciar o diferente. Só poderemos integrar nosso "ruim” a nós se pudermos processá-lo por meio do sentimento de amor.
Num mundo só bom não há espaço para o humano. Entender isso é o grande desafio de nossa civilização. Mas sem dúvida implica coisas muito difíceis, tais como amar ou acolher nosso "ruim". Em nossa fraqueza está nossa grandeza. É isso que chamamos de consciência humana – uma “terceira via” entre a ingenuidade animal e a ignorância da dominação. [...]
Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0211199909.htm>.
Acesso em: 29 jan. 2023.
Assinale a alternativa que apresenta a correta análise quanto às noções semânticas da linguagem normativa.
As expressões “ancestrais primatas” e “Homo sapiens" são hipônimas de “ser humano”.
Em: Não há identidade sem o outro; não há bom sem o ruim; não há bem sem o mal, a palavra “identidade” denota “incompatibilidade”.
Na frase: “Num mundo só bom não há espaço para o humano”, os vocábulos “mundo” e “espaço” são exemplos de homônimos perfeitos.
No contexto: Mas sem dúvida implica coisas muito difíceis, tais como amar ou acolher nosso “ruim" ..., as palavras destacadas constituem hiperônimos do vocábulo “verbo”.
No período: Qualquer tentativa de engenharia que vise extirpar o “outro-ruim” corre o risco de inventar um "bom” monstruoso..., o verbo em destaque foi empregado no sentido conotativo.