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Ao dizer que a sintaxe do rio foi cortada, (v.11 ), o poema...

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Q2777548
Teclas de Atalhos
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Ano: 2023
Prova: CETAP - SEMAS PA - Técnico - Área: Letras - 2023

Leia o poema e responda o que se pede no comando das questões de 31 a 38


Rios sem discurso

João Cabral de Melo Nato.

Quando um rio corta, corta-se de vez

o discurso-rio de água que ele fazia;

cortado, a água se quebra em pedaços,

em poços de água, em água paralítica.

Em situação de poço, a água equivale

a uma palavra em situação dicionária:

isolada, estanque no poço dela mesma,

e porque assim estanque, estancada;

e mais: porque assim estancada, muda,

e muda porque com nenhuma comunica,

porque cortou-se a sintaxe desse rio,

o fio de água por que ele discorria.

O curso de um rio, seu discurso-rio,

chega raramente a se reatar de vez;

um rio precisa de muito fio de água

para refazer o fio antigo que o fez.

Salvo a grandiloquência de uma cheia

lhe impondo interina outra linguagem,

um rio precisa de muita água em fios

para que todos os poços se enfrasem:

se reatando, de um para outro poço,

em frases curtas, então frase e frase,

até a sentença-rio do discurso único

em que se tem voz a seca ele combate.

Ao dizer que a sintaxe do rio foi cortada, (v.11 ), o poema conota:


A

o acúmulo de detritos orgânicos no fundo do rio.


B

que a censura prejudica a fluidez discursiva.


C

que a mensagem lançada está obsoleta.


D

que não se navega mais pelo rio assoreado.


E

que houve interrupções prejudiciais à compreensão.