Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Prefiro acreditar que pensar que um dia nos sentiremos prontos o suficiente é utopia
Por Pedro Guerra
- Desde que me entendo por gente, sempre tive uma pressa enorme em existir. Quem sabe
- a responsabilidade disso deva cair sobre as milhares de ideias que trafegam em descontrole
- dentro da mente, onde o objetivo comum entre todas é tomar forma. Foi por isso mesmo que
- executei projetos, lancei livros e “dei a cara a tapa” muitas vezes sem nem saber o que o tal
- tapa significava. Contudo prefiro me concentrar no sentimento gratificante que é olhar para
- ________ e saber que tudo aquilo que eu ________ fazer simplesmente foi feito.
- A ________ é uma meta recorrente para todos nós. Queremos sentir que estamos
- fazendo exatamente aquilo que nascemos para fazer. Entre perrengues da vida acadêmica e
- contratempos dos primeiros empregos, eventualmente atingimos a profissão e o emprego
- desejados. Seja qual for a área, o que reparo muitas vezes é um certo receio: será que estou
- pronto?
- Em paralelo, continuamos estudando e nos matriculamos em meia dúzia de cursinhos de
- fim de semana. Procuramos nos espelhar naqueles tidos como referência, pois estes sim estão
- prontos (ao menos, é o que acreditamos). O resultado é um tempo que passa rápido demais e
- que nos faz ter menos e menos coragem, pois a esta altura já acreditamos que nunca saberemos
- o suficiente, além do fato de a cautela que acreditamos que deva existir nos mantém muitas
- vezes no mesmo lugar. É um ciclo onde o novo e o arriscado assustam, e aí nos acostumamos
- ao que é cômodo.
- Opiniões à parte, prefiro acreditar que pensar que um dia nos sentiremos prontos o
- suficiente é uma quimera. Tão inatingível quanto acreditar que podemos, ainda nesta vida, ser
- perfeitos. Como bem pontuou Cortella (em seu livro que não ironicamente chama ‘Não nascemos
- prontos’), “gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta e vai se fazendo”.
- E é exatamente aqui que se esconde o segredo-não-tão-secreto que talvez você só fosse
- descobrir no best seller daquele coach que surgiu do nada mas que já surgiu “prontíssimo”: o
- importante é quão dispostos estamos em nos fazer. Até quanto consigo me construir?
- Certa vez escutei, em um programa de empreendedorismo, que se você não sente
- vergonha de algo que já fez, é porque começou tarde demais. Fico imensamente feliz em
- relembrar quantos erros de (falta de) estratégia já cometi, ou quantos materiais já lancei e que
- hoje não julgo serem os melhores. Dou risada porque faz parte. Tá na minha história. É claro
- que lá na frente faremos melhor o que fizemos ontem (até porque, a ideia é que seremos
- melhores também). Mas isso não anula que tudo fez sentido e estava em sua melhor versão
- quando realizado. E a moral toda é sobre isso mesmo: existir, do jeito que for. Porque o
- importante é fazer e ir se fazendo com aquilo que temos (e somos) hoje.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas – texto adaptado especialmente para esta
prova).