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Leia com atenção o fragmento de texto seguinte:
Construção e funcionamento dos textos – conceitos básicos
José Carlos de Azeredo
A convivência das pessoas em sociedade
se desenrola sob a forma de gestos e atos de
significação. Produzimos e captamos sentidos
por meios variados, que podemos agrupar em
5 três ordens muito amplas: a primeira
compreende os sinais, criados, desenvolvidos e
adotados essencialmente com esse fim – como
os gestos do cumprimento, os desenhos que
identificam toaletes destinados a cavalheiros ou
10 a senhoras, as notas musicais, o silvo do
amolador de facas, as palavras; a segunda
abrange objetos a cuja utilidade primária se
acrescenta um valor simbólico – como
embalagens, roupas, adereços; a terceira
15 abarca tudo mais a que se pode atribuir sentido
circunstancialmente, segundo a predisposição
ou a expectativa que liga cada pessoa ao objeto
de sua atenção. Com efeito, tudo à nossa volta
é fonte ou possibilidade de algum significado
20 ainda que não esteja aí com esse propósito.
É conferindo sentido aos atos, fatos e
objetos que nos orientamos no mundo. Conferir
significado a qualquer coisa – seja um fato, um
objeto, um gesto, uma frase – equivale a
25 reconhecer seu lugar em algum contexto que a
abrigue ou a engendre, com todos os
ingredientes desse contexto: cenário, ocasião,
personagens etc. Se, ao passar na rua, recebo
um cumprimento de um desconhecido, é normal
30 que eu fique embaraçado e não reaja como o
outro espera. É como se eu “não visse sentido”
no gesto de meu interlocutor. Mas se ele e eu
estivermos vestindo a camisa do time de futebol
que se sagrou campeão na véspera, o gesto ‘se
35 contextualiza’ e imediatamente entendo o
cumprimento.
Considerando as variáveis integrantes do
contexto, vamos preenchendo de sentido os
objetos de nossa atenção: uma porta fechada,
40 um sino que bate, um perfume, um cheiro, um
penteado, um olhar, um gesto. Movemo-nos, ou
nos orientamos, portanto, em um espaço ou
situação quaisquer graças à atribuição de
sentido a cada coisa que vemos, percebemos,
45 descobrimos.
(...)
(AZEREDO, José Carlos de. A linguística, o texto e o ensino da língua. São Paulo: Parábola, 2018, p. 35,36)
“Considerando as variáveis integrantes do contexto, vamos preenchendo de sentido os objetos de nossa atenção: uma porta fechada, um sino que bate, um perfume, um cheiro, um penteado, um olhar, um gesto. Movemo-nos, ou nos orientamos, portanto, em um espaço ou situação quaisquer graças à atribuição de sentido a cada coisa que vemos, percebemos, descobrimos.” (linhas 37- 45)
As formas em destaque, no enunciado acima, evidenciam o mecanismo de
progressão textual em função da recorrência de tempos verbais.
enumeração dos fatos em decorrência da expressão de circunstâncias adverbiais.
exposição de ideias em função da repetição de formas verbais.
síntese dos fatos em decorrência da expressão avaliativa do interlocutor.