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Texto para as questões 1 a 15
As diferenças na redução da mortalidade infantil no mundo
1 Quantos filhos a senhora teve? Quantos criou?
No curso médico, éramos instruídos a fazer essas duas perguntas em sequência ao anotar a história da paciente
no prontuário. A resposta nos dava ideia do nível socioeconômico e das condições de vida das mulheres que procuravam o
Hospital das Clínicas, em São Paulo, nos idos de 1960.
5 Não era raro ouvir que haviam dado à luz dez ou doze e criado sete ou oito. Perder filho era uma das tragédias que
as famílias daquele tempo se viam obrigadas a aceitar com resignação, pela vida afora.
No livro "Evolution and Human Behavior", Anthony Volk e Jeremy Atkinson analisaram diversos estudos sobre as
taxas de mortalidade antes de alcançar a vida adulta, na história da humanidade. Separaram os dados em dois períodos:
1) mortalidade no primeiro ano de vida; 2) mortalidade total antes dos quinze anos de idade.
10 O levantamento das séries históricas mostrou que, em média, 26,9% dos recém-nascidos morriam antes de
comemorar o primeiro aniversário e que 46,2% de todas as crianças não chegavam aos quinze anos. Em termos gerais:
uma em cada quatro morria no primeiro ano de vida; apenas metade dos nascidos chegava à idade adulta.
O que mais chamou a atenção dos autores, entretanto, foi a consistência desses números nas 43 culturas históricas
avaliadas. Na Grécia Antiga, na Roma Antiga, na China Imperial, nas Américas pré-colombianas, na Inglaterra e no Japão
15 medievais ou na Renascença Europeia, as taxas de mortalidade eram da mesma ordem: morria um bebê em cada quatro;
metade das crianças não atingia a maturidade reprodutiva.
Esses números seriam confiáveis? Não subestimariam a capacidade de sobrevivência de nossa espécie, nas fases
iniciais da vida?
Não é o que os dados revelam. O crescimento populacional na maior parte da história foi lento, apesar de taxas de
20 natalidade acima de seis filhos por mulher. Se a média fosse de seis filhos por mulher, a população do mundo deveria
triplicar de uma geração para a outra. Na realidade, do ano 10.000 a.C. ao ano de 1700 da época atual, o crescimento
populacional foi de míseros 0,04% ao ano. Grande número de nascimentos sem aumento significativo da população só pode
ser explicado por índices elevados de mortalidade antes da idade reprodutiva.
Os demógrafos foram ainda mais longe: analisaram os estudos existentes sobre a mortalidade nas espécies
25 geneticamente mais próximas ao "Homo sapiens". Nos neandertais, por exemplo, que habitaram a Eurásia de 400 mil
a 40 mil anos atrás, espécie com genes tão parecidos com os nossos que possibilitaram a miscigenação, a mortalidade no
primeiro ano de vida é estimada em 28%.
Já entre os grandes primatas não humanos, a compilação de várias estimativas permitiu concluir que nos chimpanzés
e nos gorilas os índices de mortalidade no primeiro ano de vida e antes da puberdade são semelhantes aos dos nossos
30 antepassados. Nos orangotangos e nos bonobos eles parecem ser até mais baixos que os dos humanos.
Na história da humanidade, sociedades que viveram em ambientes diversos, a dezenas de milhares de quilômetros
de distância, em cinco continentes, separadas por milhares de anos, mantiveram taxas altíssimas de mortalidade na infância,
não muito diferentes daquelas dos grandes primatas que viviam nas florestas.
No século XX ocorreram transformações dramáticas que duplicaram a expectativa de vida na maior parte dos países.
35 Mesmo nos mais pobres os ganhos foram substanciais. Estão por trás desse aumento da longevidade a revolução verde
que permitiu levar alimentos de qualidade a grandes massas populacionais e três grandes avanços científicos: vacinação,
teoria dos germes e antibióticos.
Tais benefícios, entretanto, jamais teriam chegado à vida cotidiana sem a ação dos movimentos sociais, como os
que aboliram a escravatura, reduziram as desigualdades, democratizaram a educação e persuadiram as pessoas a lavar as
40 mãos, não fumar, abandonar o sedentarismo e a tomar vacinas.
Hoje, os indicadores de saúde revelam que cerca de 95,4% de todas as crianças do mundo chegam vivas aos quinze
anos. Os ganhos foram desiguais, no entanto. A Somália tem a mortalidade mais alta do mundo, nessa faixa etária: 14,8%;
a Islândia, a mais baixa. A probabilidade de um recém-nascido islandês chegar aos quinze anos é de 99,7%, ou seja, perdem
a vida nesse período somente três em cada mil crianças.
(Drauzio Varella. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2023/02/as-diferencas-na-reducao-da-mortalidade-infantil-no-mundo.shtml. 22.fev.2023)
O levantamento das séries históricas mostrou que, em média, 26,9% dos recém-nascidos morriam antes de comemorar o primeiro aniversário e que 46,2% de todas as crianças não chegavam aos quinze anos. (linhas 10 e 11)
No período acima, a concordância envolvendo percentuais foi feita de acordo com a norma culta. Assinale a alternativa em que isso não tenha ocorrido.
Nem 1,5% se manifestou.
2,6% dos presentes manifestaram opinião contrária.
Naquele evento, 1,80% dos convidados foram embora mais cedo.
Em reuniões presenciais, 0,98% sempre faltavam.
Era esperado que pelo menos 40% comparecessem ao evento.