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Rubio voltou à carga reativando sua proposta no Senado. Há...

Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10.


Se for para ter horário de verão, que seja permanente


O equinócio de outono passou, segunda-feira (20), e

ninguém percebeu. Se o Brasil ainda tivesse horário de verão,

hoje seria dia de atrasar os relógios uma hora, voltando ao

que seis décadas atrás o padre de Ubatuba – que mantinha

5 inalterados os ponteiros na torre da igreja – chamava de "hora

de Deus".

A efeméride astronômica marca a data em que dia e

noite têm durações iguais, com o sol incidindo diretamente

sobre o equador. No solstício de verão no hemisfério sul (22

10 de dezembro em 2023), a luz solar baterá

perpendicularmente sobre o trópico de Capricórnio, e

teremos o dia mais longo do ano.

Até que Bolsonaro detonasse o horário de verão, em

outubro todos adiantavam os relógios em uma hora. A

15 maioria comemorava a chance de deixar o trabalho ainda de

dia, poder jogar bola, ir à praia ou deitar conversa fora no bar

por mais tempo.

Uma minoria, porém, não via e não vê sentido em

interferir tanto nos processos biológicos regulados pela luz

20 (ritmos circadianos). Afeta o sono de modo brusco, com

consequências mensuráveis na saúde e no desempenho de

tarefas cotidianas, como dirigir um automóvel.

Há estatísticas mostrando aumento de acidentes de

trânsito nos dias após o vaivém de ponteiros. Avolumam-se

25 infartos, acidentes vasculares cerebrais e casos de depressão

sazonal – para nada dizer do mau humor de quem foi obrigado

a dormir e acordar na hora que os outros decidiram, ainda que

democraticamente.

Ocorre que não há só estatísticas epidemiológicas, mas

30 também as saídas de pesquisas de opinião pública. E estas

indicam que há maioria a favor do horário de verão.

Com isso em vista, alguns legisladores fora do Brasil

propõem que ele se torne permanente. Adiantar os relógios

uma hora e nunca mais voltar atrás. Adotada a medida por

35 aqui, durante o inverno sudestino as crianças iriam para

escola no escuro, tresnoitadas.

Dá até medo de que algum parlamentar brasileiro siga

o exemplo de Marc Rubio nos EUA. O senador trompista do

"sunshine state" (Flórida) conseguiu apoio unânime de

40 colegas para aprovar, em 2022, a adoção definitiva do

"daylight savings time", alusão à diminuta economia de

eletricidade que serve de pretexto para o atentado contra

biorritmos.

A Academia Americana de Medicina do Sono

45 esbravejou, deplorando a legislação que acabou fora da pauta

da Câmara no ano passado. Embora aplaudindo o fim da

dança dos ponteiros, os especialistas defendem que

permanente se torne o horário padrão, em sua avaliação mais

adequado ao ciclo circadiano na espécie humana.

50 ____ Rubio voltou à carga reativando sua proposta no

Senado. Há legislação similar tramitando na Câmara e, uma

vez aprovada também pelos deputados, irá para sanção de

Joe Biden. O presidente terá então de decidir se fica a favor

ou contra os 53% de americanos que preferem o horário de

55 verão permanente.

Pesquisa Datafolha de 2021 constatou que um número

parecido de brasileiros, 55%, prefere seu retorno. É de supor

que sejam também favoráveis a torná-lo definitivo, pois

adiantar e atrasar relógios todo ano não agrada a ninguém.

60 ____ Eis aí um caso clássico de divergência entre a

racionalidade de base científica e a preferência do público. As

pessoas dão mais peso para vantagens perceptíveis pela

maioria, em prejuízo de danos mensuráveis, ainda que

marginais, à vida e à saúde.

65 ____ Dos males o menor: se for para ter horário de verão,

que ao menos fiquemos livres de mudar o relógio duas vezes

por ano. E que se aproveite para alterar também os horários

de entrada na escola, essa insanidade madrugadora que tanto

prejudica o aprendizado das crianças e adolescentes.


(Marcelo Leite. Jornalista de ciência e ambiente, autor de

“Psiconautas - Viagens com a Ciência Psicodélica Brasileira”.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloleite/2023/03/se-for-para-ter-horario-de-verao-que-seja-permanente.shtml.)

Rubio voltou à carga reativando sua proposta no Senado. Há legislação similar tramitando na Câmara e, uma vez aprovada também pelos deputados, irá para sanção de Joe Biden. (L.50-53)


Em relação ao segmento acima, analise as afirmativas a seguir:


I. Há seis orações no segmento.

II. Há mais de uma oração adverbial.

III. Há uma oração subordinada adjetiva.


Assinale


A

se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.


B

se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas.


C

se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.


D

se todas as afirmativas estiverem corretas.