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Floresta amazônica vai virar savana
Pesquisadores afirmam que mudança no ecossistema
da Amazônia é iminente
1 Se a Amazônia perder mais de 20% de sua área
para o desmatamento, ela pode se descaracterizar
de tal forma que deixaria de ser uma floresta e se
transformaria em área de savana, alertam dois con-
ceituados pesquisadores da área, em um artigo publi-
cado recentemente. Hoje, o desmatamento acumula-
do está em 17%.
2 Os cientistas acreditam que as sinergias negati-
vas entre desmatamento, mudanças climáticas e uso
indiscriminado de incêndios florestais indicam um
tipping point (ponto crítico), um ponto sem volta, para
transformar as partes Sul, Leste e central da Amazô-
nia em um ecossistema não florestal se o desmata-
mento chegar a entre 20% e 25%.
3 Os pesquisadores partiram do conceito da “sava-
nização” da Amazônia, que surgiu após a descoberta
de que as florestas interferem no regime de chuvas.
Na Amazônia, por exemplo, estima-se que metade
das chuvas na região é resultado da umidade pro-
duzida pela evapotranspiração (a transpiração das
árvores), que “recicla” as correntes de ar úmido pro-
venientes do Oceano Atlântico.
4 Caso perca uma quantidade grande de árvores,
a floresta recicla menos chuva, ficando mais suscetí-
vel a incêndios. O fogo altera a vegetação, favorecen-
do o avanço de gramíneas onde antes havia espécies
florestais. O resultado desse processo ecológico é
que grandes fragmentos de florestas se transformam
em savanas ou cerrados, descaracterizando a Ama-
zônia como a conhecemos hoje.
5 A primeira estimativa de qual seria o tipping point
para a Amazônia virar savana foi feita em um estudo
em 2007, e chegou à conclusão de que esse valor era
de 40% de florestas derrubadas. Só que esse estudo
avaliou apenas uma variável, o desmatamento. Se-
gundo um dos autores, quando se consideram outros
fatores, como os incêndios florestais e o aquecimento
global, essa margem diminui consideravelmente. Os
focos de incêndio têm aumentado. O aquecimento
global já está acontecendo, com um aumento de 1
grau Celsius na temperatura média da Amazônia.
6 De acordo com uma especialista em ciência e
Amazônia, a hipótese de savanização precisa ser en-
carada com seriedade, porque a floresta amazônica
tem resiliência, ela consegue resistir a algum desma-
tamento. Mas essa possibilidade não é infinita, chega
a um ponto que não tem retorno. Além disso, é pre-
ciso considerar a população da região, investindo na
produção com sustentabilidade.
7 Uma das propostas para que se possa evitar o
tipping point é o reflorestamento. Com esse objetivo,
o Brasil se comprometeu, na Conferência da ONU so-
bre Clima em Paris, em 2015, a reflorestar 12 milhões
de hectares até 2030.
CALIXTO, B. O Globo. Sociedade. Rio de Janeiro, 22 fev. 2018.
Adaptado.
O emprego do sinal indicativo da crase na palavra destacada é obrigatório, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, em:
A modificação ambiental sem limites levou a formação de uma paisagem árida ou até de um deserto propriamente dito.
A principal consequência apontada pelos estudiosos a favor do consumo consciente da água é a preservação da espécie humana.
O direito ao meio ambiente é coletivo e deve ser garantido a todos para a manutenção das áreas verdes e das condições climáticas ideais.
Os cientistas buscam várias soluções para os problemas ambientais, a começar por pesquisas de fatores que propiciem o surgimento de vários ecossistemas.
Os rios que desaparecem em períodos de estiagem passam a ter conservação obrigatória, segundo as regras do novo Código Florestal.