Imagem de fundo

No trecho – Se entrássemos na máquina do tempo e...

Leia a crônica de Moacyr Scliar para responder às questões de números 01 a 08.


Quando eu tinha a tua idade


Ai, Senhor, não nos deixe cair na tentação de dizer ao nosso filho ou à nossa filha qualquer coisa que comece com “Quando eu tinha a tua idade...”

Dificilmente haverá, nas sempre difíceis relações entre pais e filhos, frase mais perigosa. Para começar, ela alarga o gap entre as gerações, este fosso que separa adultos de crianças ou adolescentes, e cuja largura, nesta era de rápidas transformações, se mede em anos-luz. No entanto, os pais a usam, é uma coisa automática. Olhamos o quarto desarrumado e observamos: “Quando eu tinha a tua idade, fazia a cama sozinho”. Examinamos a redação feita para a escola e sacudimos a cabeça: “Quando eu tinha a tua idade, não cometia esses erros de ortografia. E a minha letra era muito melhor”.

Sim, a nossa letra era melhor. Sim, íamos sozinhos até o centro da cidade. Sim, aos dez anos já trabalhávamos e sustentávamos toda a família. Sim, éramos mais cultos, mais politizados, mais atentos. Conhecíamos toda a obra de Balzac, entoávamos todas as sinfonias de Beethoven. Éramos o máximo.

Mas éramos mesmo? Se entrássemos na máquina do tempo e recuássemos algumas décadas, será que teríamos a mesma impressão? Sim, íamos até o centro da cidade, mas a cidade era menor, mais fácil de ser percorrida. Sim, trabalhávamos – mas havia outra alternativa?

Cada geração recorre às habilidades de que necessita. Sabíamos usar um martelo ou consertar um abajur, mas eles dedilham um computador com a destreza de um virtuose. Nós jogávamos futebol na várzea, mas agora que a febre imobiliária acabou com os terrenos baldios, os garotos fazem prodígios com o skate nuns poucos metros quadrados.

Bem, mas então não podemos falar aos nossos filhos sobre a nossa infância? Longe disso. Há uma coisa que podemos compartilhar com eles; os sonhos que tivemos, e que, na maioria irrealizados (ai, as limitações da condição humana), jazem intactos, num cantinho da nossa alma. São estes sonhos que devemos mobilizar como testemunhas de nosso diálogo com os jovens.

Fale a uma criança sobre aquilo que você esperava ser; fale de suas fantasias:

– Quando eu tinha a tua idade, meu filho, eu era criança como tu. E era bom.


(Coleção melhores crônicas: Moacyr Scliar. Org. Luís Augusto Fischer. Global Editora. Adaptado)

No trecho – Se entrássemos na máquina do tempo e recuássemos algumas décadas... –, as formas verbais estão no pretérito imperfeito do subjuntivo. A mesma situação ocorre com a forma verbal destacada em:


A

Receberíamos muitas reclamações dos clientes, caso não mantêssemos o sistema de entrega em domicílio.


B

Mais consumidores adquiririam o produto se dispôssemos os diferentes modelos em espaços estratégicos do shopping.


C

O resgate dos sobreviventes teria sido mais rápido se o navio contivesse o número de botes salva-vidas adequado.


D

Caso os investidores prevessem que haveria desmatamento ilegal, não teriam construído o hotel na região.


E

Mesmo que nosso chefe se contraposse corajosamente às medidas injustas, permaneceríamos sem aumento salarial.