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Texto IIIVou-me Embora pra Pasárgada Vou-me embora pra...

Texto III


Vou-me Embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei


Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive


E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d’água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcaloide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.


Manuel Bandeira


Fonte: Libertinagem disponível no Blog do professor Aulus


Mandagará Martins.


Sobre o texto III, assinale a alternativa CORRETA.


A

A função poética é a predominante, porque o objetivo do emissor é a construção da mensagem.


B

A função metalinguística predomina, uma vez que a intenção do texto é falar sobre si mesmo.


C

Predomina a função referencial, porque o eu lírico faz uma crítica a situação do Brasil.


D

Predomina a função conativa, porque o foco da mensagem é no referente.


E

Predomina a função emotiva, porque a ênfase do texto é dada no emissor da mensagem.