Leia os trechos abaixo e marque a alternativa correta:
I. Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. As pessoas, quando corriam, antigamente, era para tirar o pai da forca e não caíam de cavalo magro. Algumas jogavam verde para colher maduro, e sabiam com quantos paus se faz uma canoa. (Carlos Drummond de Andrade).
II. Cheguei na beira do porto
Onde as onda se espalham
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia, ai, ai (Cuitelinho – Pena Branca e Xavantinho).
No item I, observa-se a variação regional do português brasileiro, especificamente em relação ao dialeto mineiro falado atualmente na região de Belo Horizonte.
No item I, o texto de Drummond aborda a mudança da língua no tempo, apresentando expressões que já não são usadas ou são usadas mais raramente. O item II mostra um exemplo de linguagem típica do português não padrão, no qual as marcas redundantes do plural não são incorporadas ao texto.
No item II, o texto apresenta exemplos de gíria usada na periferia da cidade de São Paulo.
Tanto o item I quanto o item II apresentam trechos em que se revela a variação linguística de acordo com a classe social do falante, isto é, cada classe social fala um dialeto específico, exemplificados nos referidos itens.