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Leia atentamente o texto a seguir e responda às questões de 1 a 10.
Paternalismo na esfera da saúde é retrocesso ético
O artigo "Fumar pode provocar alterações clínicas
em menos de uma hora" (31/5), de autoria do professor
Roberto Kalil Filho e publicado nesta Folha, foi assertivo.
Fumar faz mal à saúde, não importa o quê: cigarro, cigarro
5 eletrônico, narguilé etc. Há evidências definitivas dos seus
malefícios, e medidas que desestimulem seu uso são
necessárias.
Todavia, o fato é que ainda existe um grande
número de tabagistas, e as necessárias mudanças, frente
10 aos novos paradigmas científicos, precisam de tempo e
vontade individual.
Quanto ao cigarro eletrônico, basta uma breve
pesquisa para saber que é regulamentado em vários
países, e alguns desenvolveram programas para controle
15 de danos, como a Inglaterra. No Brasil, até hoje não é
regulamentado. E ninguém se responsabiliza pelo que é
ilegal, deixando-nos na incerteza sobre a qualidade do
produto.
Isso posto, precisaríamos nos perguntar: os cigarros
20 eletrônicos fazem mais mal do que os convencionais?
Seguindo as melhores práticas científicas, devemos buscar
fontes fidedignas e hierarquizar o grau de confiança das
informações. Um dos mais baixos é a "opinião de
especialista", pois sempre enviesada. O mais alto nível é a
25 revisão sistemática Cochrane, devido à metodologia
rigorosa – e existe uma que nos mostra que até o
momento não há evidências de que os cigarros eletrônicos
sejam piores que os convencionais. E mais: mostra que
poderiam causar menos danos e contribuir para a
30 cessação do vício em convencionais – embora os autores
deixem claro que ainda são necessários mais estudos, o
que demonstra transparência.
Precisamos também entender que o ser humano é
detentor de dignidade pelo simples fato de ser humano. E
35 ela se baseia, em grande parte, no direito ao autogoverno
das próprias ações. A medicina obteve avanços,
reconhecendo o princípio da autonomia individual,
respeitando-a mesmo em situações limites, como no fim
de vida. O paternalismo na esfera da saúde é um
40 retrocesso ético imperdoável.
A decisão de fazer uso ou não de cigarros
eletrônicos cabe ao indivíduo. Na mesma medida, ele tem
direito a um produto confiável, sendo dever moral
inalienável do governo regulamentá-lo. Que mais
45 campanhas e mais ações tornem o ato de fumar cada vez
mais restritivo, mais caro, menos disponível – e que
eduquemos melhor os jovens para que não busquem o
tabaco e possamos viver em uma sociedade sem ele no
futuro. Mas, até lá, devemos respeitar a dignidade do
50 indivíduo expressa na sua autonomia, no seu direito ao
autogoverno. Como o uso de cigarros eletrônicos já é um
fato na sociedade brasileira, que o tornemos menos
nocivo ao regulamentá-lo, disponibilizando produtos de
procedência conhecida de empresas que poderão ser
55 responsabilizadas por eventuais danos.
(André Luis Alves de Lemos.
https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2023/06/paternalismo-na-esfera-
da-saude-e-retrocesso-etico.shtml. 7.jun.2023)
Na linha 20, “convencionais” tem
onze fonemas.
doze fonemas.
treze fonemas.
quatorze fonemas.