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Os morfemas nas línguas exercem várias funções na palavra...

TEXTO


A troca (fragmento)


  1. Pra mim, livro é vida; desde que eu era muito
  2. pequena, os livros me deram casa e comida.
  3. Foi assim: eu brincava de construtora, livro era
  4. tijolo; em pé, fazia parede, deitado, fazia degrau de
  5. escada; inclinado, encostava num outro e fazia
  6. telhado. E quando a casinha ficava pronta eu me
  7. espremia lá dentro pra brincar de morar em livro.
  8. De casa em casa eu fui descobrindo o mundo
  9. (de tanto olhar pras paredes). Primeiro, olhando
  10. desenhos; depois, decifrando palavras.
  11. Fui crescendo; e derrubei telhados com a
  12. cabeça. Mas fui pegando intimidade com as
  13. palavras. E quanto mais íntima a gente ficava,
  14. menos eu ia me lembrando de consertar o telhado
  15. ou de construir novas casas. Só por causa de uma
  16. razão: o livro agora alimentava a minha imaginação.
  17. Todo dia a minha imaginação comia, comia e
  18. comia; e de barriga assim toda cheia, me levava pra
  19. morar no mundo inteiro: iglu, cabana, palácio,
  20. arranha-céu, era só escolher e pronto, o livro me
  21. dava.
  22. Foi assim que, devagarinho, me habituei com
  23. essa troca tão gostosa que no meu jeito de ver as
  24. coisas é a troca da própria vida; quanto mais eu
  25. buscava no livro, mais ele me dava.
  26. Mas, como a gente tem mania de sempre
  27. querer mais, eu cismei um dia de alargar a troca:
  28. comecei a fabricar tijolo pra em algum lugar uma
  29. criança juntar com outros, e levantar a casa onde
  30. ela vai morar.

BOJUNGA, Lygia. Livro: um encontro com Lygia Bojunga. 2. Ed. Rio de Janeiro: Agir, 1998.

Os morfemas nas línguas exercem várias funções na palavra, pois podem constituir sua base essencial, ampliar e modificar seu sentido ou sua classe gramatical, flexioná-la e colocá-la em um contexto sintático, ou mesmo ligar termos em uma sentença. Os usuários devem saber utilizar habilmente o conhecimento, mas, para isso, é necessário dominar algumas particularidades da morfologia e das habilidades (meta)linguísticas relativas à morfologia. Assim, para relacionar a articulação entre os saberes da morfologia e da sintaxe, é primordial


A

isolar os elementos fonográficos e trabalhar, na sala de aula, os aspectos relacionados ao vocabulário de uma língua.


B

reconhecer a composição dos elementos constituintes das palavras e vocábulos, suas funções dentro das orações e papel semântico no contexto.


C

buscar a função na oração sugerida pela análise sintática e estabelecer os caminhos para a análise.


D

proceder para uma análise textual produtiva, partindo para uma análise crítica de conteúdos.