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Em “ácidos adoçam”, na quarta estrofe, ocorre o emprego do...

Texto 8A3


O AMOR BATE NA AORTA


Cantiga do amor sem eira

nem beira,

vira o mundo de cabeça

para baixo,

suspende a saia das mulheres,

tira os óculos dos homens,

o amor, seja como for,

é o amor.


Meu bem, não chores,

hoje tem filme de Carlito!


O amor bate na porta,

o amor bate na aorta,

fui abrir e me constipei.

Cardíaco e melancólico,

o amor ronca na horta

entre pés de laranjeira

entre uvas meio verdes

e desejos já maduros.


Entre uvas meio verdes,

meu amor, não te atormentes.

Certos ácidos adoçam

a boca murcha dos velhos

e quando os dentes não mordem

e quando os braços não prendem

o amor faz uma cócega

o amor desenha uma curva

propõe uma geometria.


Amor é bicho instruído.


Olha: o amor pulou o muro

o amor subiu na árvore

em tempo de se estrepar.

Pronto, o amor se estrepou.

Daqui estou vendo o sangue

que escorre do corpo andrógino.

Essa ferida, meu bem,

às vezes não sara nunca

às vezes sara amanhã.


Daqui estou vendo o amor

irritado, desapontado,

mas também vejo outras coisas:

vejo corpos, vejo almas

vejo beijos que se beijam

ouço mãos que se conversam

e que viajam sem mapa.

Vejo muitas outras coisas

que não ouso compreender…


Carlos Drummond de Andrade, Poesia Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2006, p. 46-48 (com adaptações).


Julgue os seguintes itens, relativos a figuras de linguagem no texto 8A3.

Em “ácidos adoçam”, na quarta estrofe, ocorre o emprego do oximoro, já que essa expressão é constituída de palavras de sentidos opostos que parecem excluir-se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam certos sentidos.


C

Certo


E

Errado