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Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 4.
Aconteceu na Suécia
O sorriso é, geralmente, muito bem aceito em sociedade. A menos quando não há razão para estar alegre e a pessoa abre um meio sorriso, sardônico, voltairiano. Esse sorriso da inteligência, marca dos espíritos privilegiados, às vezes ofende; quase sempre inquieta.
Já o riso é a explosão do sorriso. O sistema nervoso central se descontrola e o corpo inteiro se sacode, os pulmões expelem todo o ar de que dispõem, as lágrimas se aproximam das pálpebras. Certas situações, ou às vezes uma simples frase, ou então uma lembrança antiga que aflora de repente à consciência, são capazes de provocar um riso de tal forma demente que sua manifestação é a gargalhada.
Aqui, entramos no terreno da repressão. Não se pode rir às gargalhadas em todas as ocasiões. Num velório, por exemplo, por mais engraçado que esteja o defunto, convém mostrar à viúva uma cara fúnebre, sinal de que lamentamos profundamente o falecimento do cidadão. Na igreja também é melhor não rir; idem diante do juiz ou do delegado de polícia; no ônibus, se você lembra um episódio hilariante de algum filme ou livro, cuidado com à gargalhada solitária, vão pensar que há um passageiro lunático.
Riso e repressão, todos sabem, vivem brigando, pois o riso é uma arma. Os humoristas derrubam tabus, preconceitos, desnudam injustiças; mostrando que o rei está nu, privam o tirano de sua majestade. Por isso, os ditadores só podem encarar o riso de duas maneiras: 1) o humorista é pago pelos cofres do Estado, para prestigiá-lo; esse merece todos os favores; 2) o humorista denuncia o que há de ridículo na situação; esse há de ser suprimido.
Assim, o riso e a vida humana são uma só coisa. Acrescente-se que o riso é a única arma eficaz no combate à morte, ao nada. Dispenso-me de comprovar o que estou dizendo, por já estar cansado de discorrer sobre o óbvio.
Perguntará o leitor: “E por quê”? Respondo que essa digressão me pareceu necessária à compreensão do caso que se segue — o caso do soldador Bosse Gustafsson.
Aconteceu na Suécia. Há na Suécia uma cidade, Eksjo, que em 1968 foi eleita a cidade mais desagradável do mundo. Do recorte que me entregaram, tirado de um jornal sueco e com a respectiva tradução datilografada, consta apenas que essa eleição foi patrocinada por uma revista semanal. Mas, no outono de 1970, o soldador Bosse Gustafsson atravessava a praça Grande de Eksjo.
Gustafsson tem 23 anos de idade. Atravessando a praça Grande da cidade mais desagradável do mundo, riu-se às gargalhadas. Era o chamado riso insopitável, provocado por uma especulação qualquer de seus humores, sem relação com a paisagem e a população notoriamente chatas de Eksjo.
Na primavera de 1971, que é agora, o soldador foi julgado e condenado a pagar uma multa de 50 coroas ao governo sueco. A rubrica da condenação foi: “Conduta capaz de despertar aborrecimento, irritação”.
— Foi uma gargalhada tensa e espremida — declararam os queixosos, que se encontravam todos na praça Grande, na célebre manhã em que o soldador por lá passou.
— Enquanto se abria naquela gargalhada, o sr. Gustafsson levantava os braços acima da cabeça e batia as palmas das mãos nos joelhos, várias vezes. A risada incomodou terrivelmente os moradores em volta da praça. Todos os que se achavam na praça olharam para o sr. Gustafsson. Portanto, na cidade mais desagradável do mundo, é proibido rir. O que não deixa de ser engraçado, quá-quá-quá!
* P.S. — Por falar em riso, dia 28 estará nas bancas o Almanaque dos Fradinhos. Cumprido, o masoquista, e Baixinho, o sádico, são indicações de que ainda não somos, nem seremos tão cedo, o lugar mais desagradável do mundo...
José Carlos Oliveira. Disponível em https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/17084/aconteceu-na-suecia
Leia a frase abaixo, retirada do texto.
“Gustafsson levantava os braços acima da cabeça e batia as palmas das mãos nos joelhos, várias vezes.”
Sobre os verbos presentes na sentença acima, é correto afirmar que
todos os verbos estão conjugados no pretérito imperfeito do indicativo.
todos os verbos estão conjugados no pretérito imperfeito do subjuntivo.
há apenas um verbo no modo indicativo.
há pelo menos um verbo conjugado no modo subjuntivo.
há pelo menos um verbo no pretérito perfeito do indicativo.