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Instrução: As questões de números 01 a 20 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Obsessão por felicidade pode deixar você extremamente infeliz
01 ____ A felicidade é algo tão subjetivo quanto científico. Biologicamente, poderíamos falar em
02 serotonina e ocitocina, ou outros nomes difíceis de neurotransmissores (mensageiros químicos)
03 que estão relacionados com a existência dessa sensação. Mas psicologicamente a história é outra.
04 Como a maioria dos sentimentos, substantivos abstratos, felicidade representa algo diferente
05 para cada ser humano. De acordo com a “psicologia positiva”, não precisamos esperar que a
06 felicidade dê as caras: ela está ao alcance das nossas mãos. Mas até que ela virou uma ditadura
07 não tão feliz assim. Essa obrigação de ser feliz não é novidade, mas ninguém realmente sabe
08 quem primeiro cunhou essa regra – e como ela se tornou o objetivo de vida de quase todo mundo.
09 O que se sabe é que ela vem machucando: “a depressão é o _____ de uma sociedade que decidiu
10 ser feliz a todo preço”, diz o escritor francês Pascal Bruckner no livro A Euforia Perpétua. E ele
11 estava certo: um novo estudo da Universidade de Melbourne, Austrália, finalmente concluiu que
12 a infelicidade de muita gente é causada pela tentativa incessante de ser feliz. A pesquisa,
13 publicada na revista Emotion, descobriu que a “superenfatização” da felicidade, como uma
14 pressão social, pode tornar as pessoas mais suscetíveis ao fracasso e muito ____ frágeis a
15 emoções negativas. A “regra” de procurar a todo custo emoções positivas e evitar ao máximo as
16 negativas está aumentando significativamente o estresse a longo prazo.
17 _____ Para chegar a essas conclusões, os cientistas fizeram um teste: separaram três grupos de
18 estudantes de psicologia australianos, que precisavam realizar anagramas. O primeiro grupo, A,
19 precisava resolver 35 anagramas em 3 minutos. Os participantes não sabiam, mas, dentre os 35
20 anagramas, havia 15 que eram impossíveis de solucionar – ou seja, eles iriam fracassar. Os
21 estudantes foram colocados em uma sala decorada com dezenas de cartazes motivacionais, notas
22 coloridas, livros de autoajuda. O instrutor da sala falava alegremente e fez até discurso sobre a
23 importância da felicidade antes da tarefa começar. Enquanto isso, o grupo B precisava completar
24 o mesmo teste, mas em uma sala absolutamente neutra. O instrutor também era neutro e não
25 fez discursinho nenhum. Já o grupo C, diferente dos outros dois, precisava resolver apenas
26 anagramas possíveis. A sala e o instrutor desses últimos eram como os do grupo A, felizões.
27 ____ Após os grupos terminarem suas tarefas, os pesquisadores pediram que todos os alunos
28 fizessem um exercício de respiração, durante o qual eles eram periodicamente questionados sobre
29 seus pensamentos. Dentre todos, os estudantes do grupo A eram os mais arrasados com o
30 fracasso. Os do grupo B, mesmo também tendo falhado, não apresentavam tanta tristeza assim.
31 E, no grupo C, o único com possibilidade de sucesso na tarefa, também não se via desânimo.
32 “Quando as pessoas colocam uma grande pressão sobre si mesmas para se sentirem felizes, ou
33 pensam que os outros ao seu redor fazem isso, elas estão mais propensas a ver suas emoções e
34 experiências negativas como sinais de fracasso”, diz Brock Bastian, co-autor do estudo. Os
35 cientistas concluíram que o grupo A, em um ambiente de “super felicidade”, lidou bem pior com
36 o sentimento de fracasso que o grupo que também falhou, mas numa sala neutra. É como se eles
37 não pudessem experimentar sentimentos negativos por estarem em um ambiente positivo. E a
38 metáfora é levada para a vida real: a obsessão pela felicidade nos proibe de experimentar
39 sensações ruins. Caso aconteça, isso atesta, perante a todos, que somos infelizes.
40 ____ Mas os pesquisadores não pararam por aí. Em um segundo experimento, eles perguntaram
41 a 200 adultos americanos quantas vezes eles sentiram e pensaram em emoções negativas, bem
42 como suas visões sobre como a sociedade percebe essas emoções. Resultado: os voluntários que
43 disseram sentir uma pressão popular pela felicidade enfatizaram bem mais as consequências
44 negativas. Eles alegaram ficarem estressados quando sentem emoções ruins, além de sentirem
45 uma redução no seu bem-estar e na sua satisfação com a vida. O que a pesquisa constatou é
46 que a busca incessante pela felicidade e a não aceitação da tristeza/fracasso só traz mais
47 infelicidade.
(Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em
https://super.abril.com.br/comportamento/obsessao-por-felicidade-pode-deixar-voce-extremamente-infeliz/. Acesso em 24 ago. 2018.)
Os advérbios “finalmente” (l. 11) e “apenas” (l. 25) são respectiva e corretamente classificados como de:
Tempo e intensidade.
Tempo e afirmação.
Modo e intensidade.
Modo e lugar.
Modo e afirmação.