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Por outro lado, é inóspito, exceto por um mar cintilante...

O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 21 a 30.


O mistério das massas disformes de tamanho continental no centro da Terra


O seu habitat natural é incomum, podendo ser descrito como "rochoso". Por todos os lados, há minerais exóticos em tonalidades e formas desconhecidas. Por outro lado, é inóspito, exceto por um mar cintilante muito distante, tão grande que contém a mesma quantidade de água de todos os oceanos da Terra reunidos.

Todos os dias, o "clima" é o mesmo, com a agradável temperatura de 1.827°C e algumas áreas de alta pressão, equivalente a cerca de 1,3 milhão de vezes a pressão da superfície da Terra. Neste ambiente arrasador, os átomos ficam distorcidos e até os materiais mais conhecidos começam a se comportar de formas excêntricas. As rochas são flexíveis como plástico e o oxigênio age como um metal.

Mas esta maravilhosa terra borbulhante não é um planeta extraterrestre e as bolhas não estão vivas. Trata-se, na verdade, da própria Terra em um ambiente bastante profundo.

Especificamente, o ambiente em questão é o manto inferior, a camada de rocha que fica pouco acima do centro da Terra, o núcleo. Esta massa, basicamente sólida, é outro mundo, um turbilhão salpicado por uma imensa variedade de cristais, que incluem diamantes - há cerca de 1 quatrilhão de toneladas deles no manto - até minerais tão raros que sequer existem na superfície do planeta.

As rochas mais abundantes nessa camada - a bridgmanita e a davemaoíta - são um grande mistério para os cientistas. Elas precisam das pressões ultra-altas que só existem no interior do planeta para se desenvolver, e se decompõem se forem trazidas para o nosso ambiente. São os equivalentes geológicos dos estranhos peixes de mar profundo que derretem quando são içados do fundo do oceano.

Estes minerais raros só podem ser observados na sua forma natural quando são capturados no interior de diamantes trazidos para a superfície. Mesmo assim, a aparência real destes cristais nas profundezas da Terra é impossível de se prever, já que suas propriedades físicas são bastante alteradas pelas pressões existentes no subterrâneo.

Paralelamente, o "oceano" distante não contém uma gota de líquido. É composto de água retida no mineral olivina, que compõe mais de cinquenta por cento do manto superior. Em profundidades maiores, ele se transforma em cristais de ringwoodita de cor azul índigo.

"Nestas profundidades, a química é completamente alterada", afirma Vedran Leki?, professor de geologia da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. "Pelo que sabemos, há minerais que ficariam mais transparentes."

Mas são as "bolhas" das profundezas da Terra que atraem a atenção dos geólogos de todo o mundo.

Estas estruturas têm milhares de quilômetros de largura e ocupam seis por cento do volume de todo o planeta. Suas alturas estimadas variam, mas uma delas - encontrada sob o continente africano e chamada de "Tuzo" - tem 800 km de altura, o que equivale a cerca de noventa Montes Everest empilhados uns sobre os outros.

Uma segunda estrutura, conhecida como "Jason" e que fica abaixo do Oceano Pacífico, estende-se verticalmente por 1,8 mil km, ou cerca de duzentos e três Montes Everest. Estas formas irregulares são moldadas ao redor do núcleo da Terra como duas amebas agarradas a uma partícula de poeira.

"Estas estruturas são muito grandes e proeminentes na tomografia", segundo Bernhard Steinberger, pesquisador de geodinâmica do Centro Alemão de Pesquisas em Geociências.

E, embora se tenha certeza da existência destas formas titânicas, quase tudo mais sobre elas segue sendo incerto, incluindo como se formaram, do que são feitas e como podem afetar nosso planeta.

Compreender as bolhas poderá nos ajudar a desvendar alguns dos mistérios mais antigos da geologia - como a Terra se formou e a presença inexplicável de vulcões em certos locais do planeta. Elas podem até fornecer detalhes sobre as mudanças da Terra ao longo dos próximos milênios.


https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-61524830. Adaptado.

Por outro lado, é inóspito, exceto por um mar cintilante muito distante, tão grande que contém a mesma quantidade de água de todos os oceanos da Terra reunidos.


Assinale a opção que contenha apenas encontros consonantais:


A

inóspito - cintilante


B

Terra - reunidos


C

outro - exceto


D

água - oceanos