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– Eu estou te achando muito culto, monsieur Binot.
– Estudei no melhor colégio de Paris. O colégio do professor Robert de Sorbon, que, séculos depois, se tornaria a Universidade Sorbonne. O cardeal Richelieu estudou lá.
– Foi seu colega de classe?
– Não, uns anos depois.
– Qual foi a sua primeira impressão de Paris?
– Bem, eu não vim diretamente pra cá. Aqui na França, o que mais me assustou é que ninguém (mas ninguém mesmo!) tomava banho naquela época. Me lembro que quando chegamos a Paris eu fiquei nu e me atirei no Sena. Fui preso, é claro. Meu protetor era importante, entende? Me soltou. O que mais me impressionou mesmo foi a igreja de Notre-Dame, na Île. Quando entrei lá pela primeira vez, eu chorei, pela beleza. E uma cerimônia linda de batismo estava acontecendo. Disse em casa que queria ser batizado lá. E fui. Naquele tempo, não tinha o arco do Triunfo, o Louvre, a torre, naturalmente. Mas tinha o Hôtel de Ville, a igreja de Saint-Germain. [...]
PRATA, Mário. Mário Prata entrevista uns brasileiros. Rio de Janeiro, 2015.
Na última fala do fragmento textual, há situações que marcam uma diferença, com relação à colocação pronominal, entre a norma culta e a linguagem coloquial. Tal diferença se justifica porque
a norma culta impede que um pronome pessoal oblíquo esteja enclítico.
a forma verbal não admite o acompanhamento de pronome pessoal oblíquo.
a linguagem coloquial somente aceita o pronome pessoal oblíquo mesoclítico.
a forma verbal não admite o acompanhamento de pronome pessoal do caso reto.
a norma culta impede que um pronome pessoal oblíquo esteja proclítico, iniciando oração.