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Leia o poema de Manuel Bandeira.Neologismo Beijo pouco...

Leia o poema de Manuel Bandeira.

Neologismo


Beijo pouco, falo menos ainda.

Mas invento palavras

Que traduzem a ternura mais funda

E mais cotidiana.

Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.

Intransitivo:

Teadoro, Teodora.

(Manuel Bandeira, As cidades e as musas)


Antonio Candido afirma que “um certo número de escritores se aplica a mostrar como somos diferentes da Europa e como, por isso, devemos ver e exprimir diversamente as coisas. Em todos eles encontramos latente o sentimento de que a expressão livre, principalmente na poesia, é a grande possibilidade que tem para manifestar-se com autenticidade um país de contrastes, onde tudo se misturas e as formas regulares não correspondem à realidade.” Tal afirmação, em relação ao poema de Manual Bandeira, é


A

controversa, porque o eu lírico, ainda que manifeste sua intenção de inovar no campo linguístico, mantém uma organização de texto literário bastante próxima daquela que a literatura modernista condena, a saber, a escola parnasiana, conhecida por seu rigor estético.


B

coerente, porque o eu lírico expressa, de fato, a motivação criadora que, para além do neologismo criado, manifesta-se na própria estrutura do poema, que vem caracterizar uma reação dos poetas modernistas em relação às formas fixas das escolas literárias anteriores.


C

relativa, porque, de um lado, há evidente preocupação com a liberdade criadora, que se manifesta em uma organização textual onde se encontram versos brancos e livres; de outro, há uma seleção lexical e uma idealização do amor que aproxima o poema dos ultrarromânticos.


D

inaplicável, porque se manifesta de forma inconteste no poema o rigor na organização dos versos, seja em relação à métrica, seja em relação às rimas, o que distancia essa produção da busca pela liberdade criativa que caracterizou o movimento modernista a partir de 1922.


E

procedente, porque a forma de organização do poema tem uma clara intenção de rompimento com as formas fixas de expressão que caracterizaram a literatura romântica e a parnasiana, retomando, sem dúvida, o padrão da literatura clássica, sobretudo a árcade.