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Na linha 1, o termo “que” classifica‑se como pronome...

Texto para os itens de 1 a 20.


1 Há uma fratura ética em nosso cotidiano que é

a acomodação. Isto é, a percepção de que as coisas são

como são. Não por serem do melhor modo, mas porque

4 do modo como são não demandam esforço. A postura

do “não mexa, é melhor assim” é muito marcante. O que

justifica essa condição acomodada? O hábito. E o que é o

7 hábito? É aquilo que, feito de maneira repetitiva, ganha

função de norma. Em vez de ser uma possibilidade, se

torna um imperativo. O escritor norte‑americano Mark

10 Twain dizia que “hábitos não são coisas que se jogam

pela janela, você tem de pegar e empurrar pela escada

degrau por degrau”. Isso vale para hábito alimentar, de

13 estudo, de sono, de leitura. Para se desvencilhar de um

mau hábito ou para adquirir bons hábitos, é preciso um

esforço intenso. Qual é o fundamento do mau hábito? A

16 passividade e o repouso que ele oferece. Fazer do mesmo

modo, acreditando que aquele é o único modo de ser

feito, me oferece tranquilidade para continuar fazendo

19 do mesmo jeito. Esse nível de repetitividade acalma,

mas pode gerar passividade e, portanto, ausência de

vitalidade. O teólogo Erasmo de Roterdã (1466‑1536),

22 em sua obra Colóquios, escreveu: “Não há nada de tão

absurdo que o hábito não torne aceitável”. Ele chama

atenção para o poder do hábito de configurar uma regra.

25 Quando o hábito vira regra, ele perde a natureza de ser

um dos modos de fazer para ser uma conduta contínua.

A frase “com o tempo você se acostuma” expressa

28 um modo de fazer que se instalou e se tornou regra.

Isso está presente em nosso dia a dia. Paga‑se IPVA e

paga‑se pedágio. Pagam‑se o INSS e o seguro de saúde

31 privado. Toma‑se algo como normal. Não se deve tomar

aquilo que é comum como normal. Isso é comum, não

é normal. Normal é estar na norma, e normal seria o

34 contrário. Pela norma, eu não poderia ser bitributado.

Ter dois pagamentos para a mesma atividade configura

desperdício. Isso seria a norma. Mas nós entendemos que

37 aquilo que seria comum seja entendido como normal.

É normal colar, é normal o professor desconsiderar um

risco de perturbação do ambiente, é normal a família não

40 participar das reuniões, é normal haver gozação em sala

de aula. Isso é comum, não é normal. Ao se tornar um

hábito, ele precisa ser impedido; é preciso recusá‑lo.


Internet: (com adaptações).


Em relação ao texto e a seus aspectos linguísticos e semânticos, julgue os itens de 1 a 10.

Na linha 1, o termo “que” classifica‑se como pronome relativo e retoma a expressão “fratura ética”.


C

Certo


E

Errado