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Leia artigo escrito pela jornalista Eliane Brum para o catálogo da Mostra Ecofalante, depois responda às questões de 01 a 10 desta prova.
Formigas que comem gafanhotos
Sempre foi sobre os corpos. Sobre o controle dos corpos. Não quaisquer corpos, porém. Mas os daqueles que são chamados de minorias. Os não brancos, os não homens, os não heterossexuais, os não cisgêneros.
“A guerra contra a Terra começa na cabeça dos homens. E eu quis dizer homens, especialmente homens que controlam o poder e o capital”, diz Vandana Shiva em As Sementes de Vandana Shiva (EUA, Australia, 2021), documentário de Camilla e James Becket. Vandana Shiva, conhecida também como o “pesadelo da Monsanto”. Vandana, a indiana que enxergou antes da maioria qual era a guerra do nosso tempo, aquela que não é mais travada entre países, mas entre corporações transnacionais. A guerra travada contra a natureza, contra o planeta-corpo. “Quando você vende armas reais, você controla exércitos. Quando você controla a comida, você controla a sociedade. Quando você controla a semente, você controla a vida na Terra”, ensina Vandana, e grita. É então atacada pela máquina de desqualificação das corporações que denuncia.
Agora que as gerações dos vivos têm diante de si o maior desafio da trajetória dos humanos neste planeta, a catástrofe climática, cavada pelas máquinas da minoria dominante que comanda as grandes corporações, os governos e os parlamentos, torna-se explícita. O sistema e a lógica que destroem o corpo das minorias são os mesmos que destroem o corpo do planeta. Primeiro coisificam. O rio, a montanha, as árvores viram objetos. Passam a ser chamados de “recursos”. E então colonizados, civilizados, enformados, subjugados, domados. Dos corpos coisificados tudo o que pode virar dinheiro é arrancado, e não há limite, porque já não é preciso ter quando o ser já não é – ou nunca foi. É a coisa-commodity. Depois de esgotados, os corpos são então abandonados, a coisa-coisa, a coisa-lixo, a coisa-dejeto, a coisa-rejeito que cobriu Mariana e Brumadinho. Tudo o que morre em cadeia, ao redor, abaixo e acima, é dano colateral, é sacrifício necessário, porque com o corpo dos outros – o sacrifício do capitalismo é sempre para o outro, com o corpo do outro. O corpo do outro é a carne mais barata do mercado.
(Disponível em https://diplomatique.org.br/formigas-que-comem-gafanhotos/ Acesso em 09/09/2022)
Trecho para as questões 06 e 07
Dos corpos coisificados tudo o que pode virar dinheiro é arrancado, e não há limite, porque já não é preciso ter quando o ser já não é – ou nunca foi. É a coisa-commodity. Depois de esgotados, os corpos são então abandonados, a coisa-coisa, a coisa-lixo, a coisa-dejeto, a coisa-rejeito que cobriu Mariana e Brumadinho.
Nesse trecho, para intensificar sua crítica, a autora manipula intencionalmente o sentido das palavras destacadas, provocando intensificação das ideias. A esse recurso estilístico empregado, dá-se o nome de
metáfora.
personificação.
catacrese.
gradação.
metonímia.