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Considere os seguintes enunciados:Nesse outro mundo eu me...

Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 12.

A alegria da música

Eu gosto muito de música clássica. Comecei a ouvir música clássica antes de nascer, quando ainda estava na barriga da minha mãe. Ela era pianista e tocava... Sem nada ouvir, eu ouvia. E assim a música clássica se misturou com minha carne e meu sangue. Agora, quando ouço as músicas que minha mãe tocava, eu retorno ao mundo inefável que existe antes das palavras, onde moram a perfeição e a beleza.

Em outros tempos, falava-se muito mal da alienação. A palavra “alienado” era usada como xingamento. Alienação era uma doença pessoal e política a ser denunciada e combatida. A palavra alienação vem do latim alienum, que quer dizer “que pertence a um outro”. Daí a expressão alienar um imóvel. Pois a música produz alienação: ela me faz sair do meu mundo medíocre e entrar num outro, de beleza e formas perfeitas. Nesse outro mundo eu me liberto da pequenez e das picuinhas do meu cotidiano e experimento, ainda que momentaneamente, uma felicidade divina. A música me faz retornar à harmonia do ventre materno. Esse ventre é, por vezes, do tamanho de um ovo, como na Rêverie, de Schumann; por vezes é maior que o universo, como no Concerto no 3 de Rachmaninoff. Porque a música é parte de mim, para me conhecer e me amar é preciso conhecer e amar as músicas que amo.

Agora mesmo estou a ouvir uma fita cassete que me deu Ademar Ferreira dos Santos, um amigo português. Viajávamos de carro a caminho de Coimbra. O Ademar pôs música a tocar. Ele sempre faz isso. Fauré, numa transcrição para piano. A beleza pôs fim à nossa conversa. Nada do que disséssemos era melhor do que a música. A música produz silêncio. Toda palavra é profanação. Faz-se silêncio porque a beleza é uma epifania do divino, ouvir música é oração. Assim, eu e o Ademar adoramos juntos no altar da beleza. Terminada a viagem, o Ademar retirou a fita e m’a deu. “É sua”, ele disse de forma definitiva. Protestei. Senti-me mal, como se fosse um ladrão. Mas não adiantou. Existem gestos de amizade que não podem ser rejeitados. Assim, trouxe comigo um pedaço do Ademar que é também um pedaço de mim.

(Rubem Alves, Na morada das palavras. Adaptado)

Considere os seguintes enunciados:

Nesse outro mundo eu me liberto da pequenez e das picuinhas do meu cotidiano e experimento, (I) ainda que momentaneamente, uma felicidade divina.

Protestei. Senti-me mal, (II) como se fosse um ladrão. (III) Mas não adiantou.

Assinale a alternativa que expressa corretamente as relações coesivas providas pelos conectivos nos enunciados e a respectiva reescrita.


A

contraste: mesmo que momentaneamente; (II): condição: caso fosse um ladrão; (III) ressalva: Nem adiantou.


B

restrição: apesar de momentaneamente; (II): comparação: sendo um ladrão; (III) oposição: Portanto não adiantou.


C

condição: desde que momentaneamente; (II) conformidade: de modo que eu fosse um ladrão; (III) Porém não adiantou.


D

tempo: sempre momentaneamente; (II) modo: mesmo não sendo ladrão; (III) contraste: Contudo não adiantou.


E

concessão: embora momentaneamente; (II) comparação: tal qual um ladrão; (III) restrição: Todavia não adiantou.