Após a renegociação de dívidas, o próximo passo é o planejamento
Por Agência Brasil
- Com 8,1 bilhões de reais de dívidas bancárias renegociadas, segundo balanço mais recente
- da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o programa Desenrola completou o primeiro
- mês com 985.000 clientes atendidos. Apesar do sucesso da iniciativa, que será expandida para
- débitos não bancários nas próximas semanas, economistas recomendam cuidados para o
- consumidor que limpa o nome.
- O principal ponto de atenção diz respeito aos débitos de até R$ 100. Como condição para
- aderirem ao Desenrola, as instituições financeiras limparam o nome de quem devia até esse
- valor, mas os débitos não deixaram de existir, continuando a ser corrigidos com juros. “Essa
- medida teve como objetivo liberar o consumo. Quando há a desnegativação, o consumidor pode
- voltar a fazer crediário, mas isso não implica a quitação da dívida”, diz o professor de Finanças
- do Ibmec, Gilberto Braga.
- Na maior parte dos casos, os débitos nesse valor dizem respeito a contas esquecidas nas
- instituições financeiras sobre as quais continuam a incidir tarifas. No entanto, muitos
- correntistas nem sequer chegaram a saber da existência desses débitos porque não verificaram o
- extrato das contas ou das carteiras virtuais.
- “Na realidade, todo mundo precisa ter muito cuidado. A primeira providência, sendo retirado
- do cadastro de inadimplentes, é imediatamente quitar essa dívida de pequeno valor o mais
- rapidamente possível”, alerta o coordenador do MBA de Gestão Financeira da Fundação Getúlio
- Vargas (FGV), Ricardo Teixeira.
- Em relação à Faixa 2 do Desenrola, os economistas concordam com a necessidade de
- planejamento por parte dos correntistas para não se endividar após a renegociação. “Para quem
- parcelou débitos, o melhor a fazer é honrar esses compromissos renegociados. A ideia é
- primeiramente quitar esses compromissos para depois, se for o caso, se endividar”, argumenta
- Teixeira. “Se na renegociação a parcela ficar muito baixa, permitindo que, com segurança, volte
- a consumir imediatamente, o consumidor pode fazer isso, mas dentro de um planejamento muito
- responsável”, acrescenta.
- Para o professor Gilberto Braga, a principal crítica ao Desenrola, até agora, diz respeito ___
- falta de um programa de reeducação financeira. Embora alguns bancos promovam campanhas de
- esclarecimento por meio de vídeos para quem renegocia os débitos, essa não é uma condição
- obrigatória para aderir ___ renegociações.
- “O Desenrola oferece uma solução plausível para a dívida, mas não vem acompanhado de
- um processo de reeducação financeira. Acho que seria interessante que se colocasse ___
- disposição uma forma de ajuda para as pessoas poderem se programar melhor em relação a
- seus orçamentos”, salienta Braga.
- Outro ponto a que os correntistas precisam estar atentos diz respeito aos golpes. Desde o
- lançamento do Desenrola, fraudadores virtuais enviam links por e-mail, SMS ou aplicativos de
- mensagens que oferecem falsas renegociações. Quem clica corre o risco de ter o celular ou
- computador hackeado ou de entrar numa página falsa, fazer a renegociação e transferir dinheiro
- a criminosos.
- Nesta fase do Desenrola, cabe ao correntista procurar as instituições financeiras para
- manifestar interesse em renegociar dívidas. Sempre pelos canais oficiais: aplicativo, sites ou
- atendimento presencial nas agências, sem jamais atender ligações de números desconhecidos ou
- clicar em links enviados.
- “O Desenrola é um programa passivo. A iniciativa é do devedor em procurar uma das fontes
- oficiais para a renegociação. Não existe iniciativa no sentido contrário, de o credor abordar o
- devedor”, finaliza Braga.
(Disponível em: exame.com/invest/minhas-financas/renegociou-dividas-com-o-desenrola-proximo-passo-e-planejamento-apontam-especialistas/ – texto adaptado especialmente para esta prova).