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Atenção: Para responder às questões de números 1 a 5, baseie-se no texto abaixo.
O gavião
Gente olhando para o céu: não é mais disco voador. Disco voador perdeu o cartaz com tanto satélite beirando o sol e a lua. Olhamos todos para o céu em busca de algo mais sensacional e comovente — o gavião malvado, que mata pombas.
Retornamos assim à contemplação de um drama bem antigo, e há o partido das pombas e o partido do gavião. Os pombistas ou pombeiros (qualquer palavra é melhor que “columbófilo”) querem matar o gavião. Os amigos deste dizem que ele não é malvado; na verdade come a sua pombinha com a mesma inocência com que a pomba come seu grão de milho.
Não tomarei partido: admiro a túrgida* inocência das pombas e também o lance magnífico em que o gavião se despenca sobre uma delas. Comer pombas é, como diria Saint-Exupéry", “a verdade do gavião”, mas matar um gavião no ar com um belo tiro pode também ser a verdade do caçador.
Que o gavião mate a pomba e o homem mate alegremente o gavião; ao homem, se não houver outro bicho que o mate, pode lhe suceder que ele encontre seu gavião em outro homem. A vida é rapina. A verdade é que não posso mais falar de aves: dei os meus passarinhos. Perdi os cantos do meu canário e os assovios do meu sofré; meu coração está mais triste, mas está mais leve também.
* túrgida = intumescida, dilatada, cheia.
** Antoine de Saint-Exupéry, escritor francês.
(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1960, p. 163-164)
As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
Aos gaviões e às pombas não costumam faltar a empatia dos que pesam as razões do lado que lhes parecem mais favorável,
Já não se ouve os cantos dos passarinhos de que nos desfizemos, mas também já não nos preocupa o que lhes podiam ameaçar.
Comer pombas ou alvejar gaviões são opções que se apresentam àqueles a quem move a força de bem específicos interesses.
Fazem falta ao autor do texto ouvir tanto os cantos do seu canário como os assovios do sofrê, de cujos encantos já não desfrutam.
Sempre haverão os que defendem medidas drásticas quando se tratam de poupar as vítimas de uma violenta predação.