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No trecho “Claramente a história é muito mais complicada...

Leia o texto para responder às questões de números 04 a 09.


Você pode contar nos dedos o número de mamíferos que formam pares amorosos parecidos com os formados por seres humanos. Um deles é o rato das pradarias (Microtus ochrogaster), um pequeno roedor que vive nos campos na América do Norte. Esses animais formam casais estáveis que convivem por toda a vida. Além disso, facilmente adotam filhotes de outros casais. Como nenhum outro mamífero demonstra esse tipo de comportamento, que se assemelha muito ao dos seres humanos, esses simpáticos ratinhos têm sido o modelo animal preferido dos cientistas para estudar os mecanismos do que chamamos de amor.

Esses estudos mostraram que um hormônio chamado oxitocina é parte importante na maneira como os ratos da pradaria se comportam, o que levou muitas pessoas a chamar a oxitocina de hormônio do amor. Ela é produzida no hipotálamo e liberada pela glândula pituitária no cérebro, agindo no corpo ao se ligar a um receptor. Nos ratos da pradaria, se você bloquear o receptor com uma droga, eles deixam de cuidar dos filhos. Isso indica que a oxitocina, ao se ligar a seu receptor, é responsável por grande parte do comportamento social e afetivo desses animais.

Até agora, os estudos do sistema oxitocina e seu receptor podiam ser feitos de duas maneiras: ou você alterava para mais ou para menos o nível de oxitocina no corpo, ou você bloqueava o receptor de oxitocina com uma droga que se ligava ao receptor e impedia a ligação da oxitocina. E foi assim que a história do hormônio do amor se desenvolveu. Contudo, faz algum tempo, surgiu a oportunidade de produzir uma linhagem de ratos da pradaria que não possuíssem o receptor para oxitocina. Para espanto geral, os ratos da pradaria sem receptores continuam amorosos.

Esse simples experimento pôs abaixo a teoria de que a oxitocina e seu receptor seriam suficientes para explicar o comportamento amoroso desses animais. Claramente a história é muito mais complicada, pois talvez existam outros mecanismos que dão suporte para esses comportamentos, ou outros receptores ainda desconhecidos que podem fazer o papel do receptor que foi eliminado. Seja como for, o que se conclui é que o amor é um fenômeno muito mais complicado do que imaginávamos, e isso não deveria ser novidade para qualquer pessoa que já se apaixonou.


(Fernando Reinach. “Hormônio do amor” não funciona do jeito que imaginávamos; entenda o que aponta nova pesquisa. www.estadao.com.br, 11.02.2023. Adaptado)

No trecho “Claramente a história é muito mais complicada, pois talvez existam outros mecanismos…” (4o parágrafo), o vocábulo destacado possui como antônimo, no contexto em que se encontra:


A

inegável.


B

inerente.


C

intempestiva.


D

inteligível.


E

interessante.