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TEXTO II - O BRASIL SEM BRASIL:
emblema da tragédia do Museu Nacional por Rosane Borges — publicado 03/09/2018
18h48/Carta Capital (adaptado)
A tragédia que se abateu sobre o Museu Nacional, a instituição científica mais antiga do Brasil, foi a peça que estava faltando para dar sentido à engrenagem de destruição do país da qual somos, simultaneamente, ferramentas e operadores (in)voluntários.
A agenda neoliberal impôs-se como uma nova forma de governamentalidade normativa, que estende a lógica do capital ao mundo inteiro, instalando a pós-democracia ou desdemocracia, nas palavras dos especialistas no assunto, Pierre Dardot e Christian Laval.
Com a balada altissonante do neoliberalismo, retorna-se ao capitalismo em seu estado bruto, em sua vida nua; destrói-se e confisca-se direitos adquiridos (relembremos o que o STF fez com a CLT, abrindo as porteiras para a terceirização indiscriminada); hasteia-se a bandeira da terra arrasada para que todos saibamos que não há mais saída, restando-nos a triste constatação de que vivemos (e viveremos) por nossa própria conta.
Para quem ainda não tinha entendido a morfologia da destruição à brasileira, a anedótica pergunta “Quer que eu desenhe?” mostrou sua face. E o desenho foi pintado, ou melhor, filmado em nossas telas ao vivo e em cores de fogo, convertendo-nos em testemunhas oculares, telespectadores desesperados, céticos em relação ao que víamos.
A carbonização do Museu Nacional desponta como um emblema real e simbólico do que a regressão neoliberal representa. Responsável por abrigar parte significativa do nosso patrimônio científico, histórico e artístico (em torno de 23 milhões de peças lá estavam abrigadas), o Museu vinha agonizando já algum tempo, emitindo sinais de que (sobre)vivia numa atmosfera de deterioração que pressagiava um iminente colapso.
Visitei a instituição em abril deste ano e, na qualidade de leiga nos temas de preservação e segurança, percebi que o sólido edifício de 200 anos emitia massivas demonstrações de que não suportaria mais tamanho descaso.
Sabemos que, nas nossas plagas, o asfixiamento da educação e da cultura não é obra exclusiva dos desmandos do governo de plantão. Sabemos, todavia, que o sucateamento dessas áreas ganhou aceno oficial com a PEC 95, que congelou os gastos públicos por vinte anos e impôs sucessivas reduções das verbas para áreas como educação, saúde e assistência social (esta famigerada PEC não equilibrou, nem assim fará, as contas públicas, cuja situação só piorou nos dois últimos anos. Ela vem servindo para um fim pedagógico: bloquear o futuro do país). O emparedamento letal da vida coletiva só ganha em espessura e profundidade.
Já foram alvejados pela PEC 95 a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o CNPq, vários projetos científicos estratégicos para o desenvolvimento do país, recursos para universidades públicas federais,...
O líquido amniótico no qual a destruição do museu se desenvolveu a passos largos é o mesmo que envolve os outros setores da educação. Diversos programas de apoio à museologia federal nos últimos dois anos foram interrompidos e descontinuados. Sessenta por cento dos recursos advindos do Ministério da Educação e da UFRJ, a quem cabia a gestão do museu, foram ceifados. Entre os programas cortados, estava o de prevenção de riscos. (...)
Observe o fragmento retirado do texto II, em seguida marque a opção correta quanto à análise sintática do que se encontra em destaque: Sabemos, todavia, que o sucateamento dessas áreas ganhou aceno oficial com a PEC 95...
É uma oração subordinada adjetiva restritiva;
É uma oração subordinada substantiva subjetiva;
É uma oração subordinada substantiva objetiva direta;
É uma oração subordinada adjetiva explicativa;
É uma oração subordinada substantiva predicativa.