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Texto 4
Utilize o texto abaixo para responder às questões 34 a 36.
Sucedeu, porém, que a língua portuguesa nem se entregou de todo à corrupção das senzalas, no sentido da maior espontaneidade de expressão, nem se conservou calafetada nas salas de aulas das casas-grandes sob olhar duro dos padres-mestres. A nossa língua nacional resulta da interpenetração das duas tendências. Devemo-la tanto às mães Bentas e às tias Rosas como aos padres Gamas e aos padres Pereiras. O português do Brasil, ligando as casas-grandes às senzalas, os escravos aos senhores, as mucamas aos sinhô-moços, enriqueceu-se de uma variedade de antagonismos que falta ao português da Europa. Um exemplo e dos mais expressivos, que nos ocorre, é o caso dos pronomes. Temos no Brasil dois modos de colocar pronomes, enquanto o português só admite um – o “mundo duro do imperativo”: diga-me, faça-me, espere-me. Sem desprezar o modo português, criamos um novo, inteiramente nosso, caracteristicamente brasileiro: me diga, me faça, me espere. Modo bom, doce, de pedido. E servimo-nos dos dois. Ora, esses dois modos antagônicos de expressão, conforme a necessidade de mando ou cerimônia, por um lado, e de intimidade ou de súplica, por outro, parecem-nos bem típicos das relações psicológicas que se desenvolveram através de nossa formação patriarcal entre os senhores e os pretos.
FREYRE, Gilberto – Casa-grande e senzala, Rio de Janeiro, Maia & Schmidt, 1934, pp 370-378.
O texto 4 pode ser classificado fundamentalmente como:
Informativo, já que se limita a informar ao leitor a formação da língua portuguesa.
Descritivo, pois apenas descreve os fenômenos da língua portuguesa empregada no Brasil.
Narrativo, visto que narra episódios que exemplificam a criação da língua nacional.
Expositivo, porque expõe as informações relativas a formação da língua nacional.
Argumentativo, porque defende a ideia de interpenetração de tendências na língua portuguesa empregada no Brasil e exemplifica essas tendências.