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Atenção: Leia o trecho do conto "Caso da vara", de Machado de Assis, para responder às questões de números 1 a 10.
1. Damião fugiu do seminário às onze horas da manhã de uma sexta-feira de agosto. Não sei bem o ano, foi antes de 1850. Passados alguns minutos parou vexado; não contava com o efeito que produzia nos olhos da outra gente aquele seminarista que la espantado, medroso, fugitivo. Desconhecia as ruas, andava e desandava, finalmente parou. Para onde iria? Para casa, não, lá estava o pai que o devolveria ao seminário, depois de um bom castigo. Não assentara no ponto de refúgio, porque a saída estava determinada para mais tarde; uma circunstância fortuita a apressou. Para onde iria? Lembrou-se do padrinho, João carneiro, mas o padrinho era um moleirão sem vontade, que por si só não faria coisa útil. Foi ele que o levou ao seminário e o apresentou ao reitor:
2. - Trago-lhe o grande homem que há de ser, disse ele ao reitor.
3. - Venha, acudiu este, venha o grande homem, contanto que seja também humilde e bom. A verdadeira grandeza é chã. Moço ...
4. Tal foi a entrada. Pouco tempo depois fugiu o rapaz ao seminário. Aqui o vemos agora na rua, espantado, Incerto, sem atinar com refúgio nem conselho; percorreu de memória as casas de parentes e amigos, sem se fixar em nenhuma. De repente, exclamou:
5. - Vou pegar-me com Sinhá Rita! Ela manda chamar meu padrinho, diz-lhe que quer que eu saía do seminário ... Talvez assim ...
6. Sinhá Rita era uma viúva, querida de João carneiro; Damião tinha umas Ideias vagas dessa situação e tratou de a aproveitar. Onde morava? Estava tão atordoado, que só dai a alguns minutos é que lhe acudiu a casa; era no Larpo do Capim.
7. - Santo nome de Jesus! Que é Isto? bradou Sinhá Rita, sentando-se na marquesa, onde estava reclinada.
8. Damião acabava de entrar espavorido; no momento de chegará casa, vira passar um padre, e deu um empurrão à porta, que por fortuna não estava fechada a chave nem ferrolho. Depois de entrar espiou pela rótula, a ver o padre. Este não deu por ele e la andando.
9. - Mas que é isto, Sr. Damião? bradou novamente a dona da casa, que só agora o conhecera. Que vem fazer aqui?
10. Damião, trêmulo, mal podendo falar, disse que não tivesse medo, n/lo era nada; la explicar tudo.
11. - Descanse, e explique-se.
12. - Já lhe digo; não pratiquei nenhum crime, isso Juro, mas espere. [...]
13. Afinal, Damião contou tudo, o desgosto que lhe dava o seminário; estava certo de que não podia ser bom padre; falou com paixão, pediu-lhe que o salvasse.
14. - Como assim? Não posso nada. [...]
15. - Pode muito, Sinhá Rita; peço-lhe pelo amor de Deus, pelo que a senhora tiver de mais sagrado, por alma de seu marido, salve-me da morte, porque eu mato-me, se voltar para aquela casa.
(ASSIS, Machado de. 50 contos. São Paulo: Companhia da Letras. 2007)
O narrador manifesta-se explicitamente no próprio texto no seguinte trecho:
Aqui o vemos agora na rua, espantado, Incerto, sem atinar com refúgio nem conselho (4º parágrafo)
Damião fugiu do seminário às onze horas da manhã de uma sexta-feira de agosto (1° parágrafo)
Não assentara no ponto de refúgio, porque a saída estava determinada para mais tarde (1° parágrafo)
Estava tão atordoado, que só daí a alguns minutos é que lhe acudiu a casa (6° parágrafo)
Afinal, Damião contou tudo, o desgosto que lhe dava o seminário (13° parágrafo)