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Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 8.
Precisamos falar de gordofobia
01 Diariamente, pessoas gordas e obesas saem de casa logo cedo e sabem
02 que vão encontrar pela frente desafios de todos os tipos: transporte público,
03 escritórios, restaurantes e outros ambientes que não estão preparados para
04 acomodá-las. Ainda pior: sabem também que vão ser alvo de piadas,
05 julgamentos e ouvir de muita gente que precisam emagrecer. Esse preconceito
06 tem nome. “Gordofobia é um neologismo para o comportamento de pessoas que
07 julgam alguém inferior, desprezível ou repugnante por ser gordo. Funciona como
08 qualquer outro preconceito baseado em uma característica única”, explica o Dr.
09 Adriano Segal, psiquiatra do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do
10 Hospital Alemão Oswaldo Cruz. “Apesar de o nome ser novo, é algo que sempre
11 existiu, a gula é até um pecado capital. Há estudos com universitários em que
12 afirmam preferir se casar com traficantes ou bandidos do que com obesos”, diz
13 o médico.
14 Em um mundo pouco adaptado a corpos gordos e em uma sociedade que
15 Institucionaliza o preconceito contra os donos desses corpos, navegar pelo
16 cotidiano traz desafios de diversas naturezas, dos mais simples aos mais
17 complexos. Comprar roupa, por exemplo, pode ser uma experiência desgastante
18 – emocionalmente, inclusive. A jornalista santista Flávia Durante conta que
19 começou a engordar depois da faculdade e, ao longo de dez anos, ganhou 30
20 quilos. Mesmo bem resolvida com seu corpo, ela tinha dificuldade em encontrar
21 roupas do seu agrado na pouca oferta do mercado. “Não deixei de fazer as coisas
22 por ter engordado. Ia à praia, usava biquíni normalmente. O problema era
23 encontrar peças que me servissem”, conta. Foi ali que viu que a exclusão sofrida
24 pelos gordos não se limita a uma rejeição social, o próprio mercado propaga isso
25 quando as marcas não querem ver seus produtos e m corpos gordos, ainda que
26 eles sejam uma parcela grande dos consumidores. Cansada da falta de opção e
27 dos padrões extremamente excludentes do universo da moda, Flávia criou a Pop
28 Plus Size, feira que, desde 2012, reúne em São Paulo expositores que fabricam
29 peças com manequins acima de 44 e pensadas para diversos tipos de corpo.
30 Mais que isso: denominada como “feira de moda e cultura plus size”, a Pop Plus
31 Size se posiciona como uma plataforma de fortalecimento da autoestima,
32 empoderamento e respeito à diversidade.
33 Uma das frequentadoras assíduas da Pop Plus é Patrícia, que se sente
34 muito bem com o próprio corpo, mas cita anos de terapia e a entrada para um
35 grupo de teatro como iniciativas que a ajudaram a gostar de si mesma. Na
36 adolescência e na infância, ela sofreu bullying por ser gorda, e a ignorância e o
37 preconceito se manifestaram de diversas formas ao longo de sua vida: foi
38 rejeitada pelas companheiras do time de vôlei, teve um relacionamento com uma
39 pessoa que não se deixava ser vista em público ao seu lado e chegou a ouvir em
40 uma entrevista de emprego para uma loja que não deveria nem se esforçar,
41 porque não haveria uniforme do tamanho dela. “No meu trabalho atual, reparam
42 e comentam sobre tudo que eu como”, conta. “Estou mudando a alimentação por
43 escolha pessoal e vejo que as pessoas ficam surpresas quando me veem
44 comendo vegetais. Já partem do princípio de que é porque quero emagrecer, me
45 dão parabéns. E não é.”
[…]
Disponível em https://www.hospitaloswaldocruz.org.br/imprensa/noticias/precisamos-falar-de-gordofobia
Acessado em 23/10/2010 - Texto adaptado
É narrativo o trecho
“Gordofobia é um neologismo para o comportamento de pessoas que julgam alguém inferior, desprezível ou repugnante por ser gordo. Funciona como qualquer outro preconceito baseado em uma característica única”, explica o Dr. Adriano Segal, psiquiatra do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (linhas 6 a 10).
Em um mundo pouco adaptado a corpos gordos e em uma sociedade que institucionaliza o preconceito contra os donos desses corpos, navegar pelo cotidiano traz desafios de diversas naturezas, dos mais simples aos mais complexos (linhas 14 a 17).
Mais que isso: denominada como “feira de moda e cultura plus size”, a Pop Plus Size se posiciona como uma plataforma de fortalecimento da autoestima, empoderamento e respeito à diversidade (linhas 30 a 32).
Na adolescência e na infância, ela sofreu bullying por ser gorda, e a ignorância e o preconceito se manifestaram de diversas formas ao longo de sua vida: foi rejeitada pelas companheiras do time de vôlei, teve um relacionamento com uma pessoa que não se deixava ser vista em público ao seu lado e chegou a ouvir em uma entrevista de emprego para uma loja que não deveria nem se esforçar, porque não haveria uniforme do tamanho dela (linhas 35 a 41).