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Texto para as questões de 30 a 33
1 Há seis anos, a engenheira Roseli de Deus, professora
da Escola Politécnica da USP, coordena a maior feira
brasileira dirigida a jovens cientistas, a Feira Brasileira de
4 Ciências e Engenharia.
Nesta entrevista, Roseli falou sobre a importância de
professores e alunos praticarem ciência com um olhar
7 investigativo e criativo.
Carta na Escola: Uma das críticas que se fazem ao
ensino de ciências é de ele ser muito teórico e desinteressante.
10 Qual a dificuldade de torná-lo mais prático?
Roseli de Deus: A questão da experimentação é
fundamental. A gente nasce cientista, aprende a falar, a olhar
13 e a entender o mundo. Quando entramos na escola, e
conforme a diretriz da escola, se inicia um processo contrário,
o de tolher toda essa criatividade e curiosidade. Acontece que
16 a escola fica refém do currículo e de conteúdos prontos que
estão nos livros. A ciência faz parte da vida da gente. Mas, se
for aprisionada em livros antigos como se fosse estática, ela
19 não faz sentido.
(...)
Carta na Escola: No caso da engenharia, quando
22 chegam à universidade, os alunos estão bem informados
quanto ao conteúdo do curso e à prática profissional?
Roseli de Deus: Não. Como professora de uma
25 universidade pública, é muito frustrante perguntar para o
aluno por que ele decidiu cursar engenharia e receber como
resposta que é para conseguir um bom emprego ou porque ele
28 “gosta de exatas”. A engenharia é um exercício constante de
relação custo-benefício, e precisa ficar muito claro de quem
é o custo e para quem é o benefício. Se for para beneficiar
31 um patrão que só quer ganhar dinheiro, o engenheiro vai
adotar soluções técnicas que podem provocar ou agravar
problemas sociais e ambientais. Esta é uma questão
34 importante não só na área da engenharia.
Carta na Escola: Qual é a importância da pesquisa em
ciência para um país?
37 Roseli de Deus: É fundamental. Mas dentro dessa
concepção de transformar conhecimentos imateriais em
soluções que respeitem o meio ambiente e gerem
40 sustentabilidade. Se a gente investir na educação básica,
quando esse menino for um profissional, ele não vai trabalhar
em qualquer empresa nem fazer qualquer coisa por dinheiro.
43 Temos de cultivar esse tipo de preocupação no jovem, para
que ele possa, quando entrar na universidade, aprofundar os
seus conhecimentos sem perder a visão do todo.
Entrevista capital. In: Carta na Escola, abril
de 2008, ed. n.º 25, p. 8 e 10 (com adaptações).
Assinale a opção correta no que se refere à tipologia e a aspectos gramaticais do texto.
Predomina, na fala da pesquisadora entrevistada, o tipo de texto descritivo.
Caso se substitua "se inicia" (l.14) por iniciamos, a correção gramatical é mantida, embora haja alteração do sentido original do texto.
A forma verbal "for" (l.30) está empregada no singular para concordar com "um patrão" (l.31).
A oração "para que ele possa (...) aprofundar seus conhecimentos" (l.43-45) expressa circunstância de causa em relação à idéia apresentada na oração anterior.