Imagem de fundo

O fragmento que apresenta uma oração com função adjetiva é

AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO

TEXTO

PRENDE-SE MUITO. E MAL


1 Henry Louis Mencken escreveu uma das mais irônicas frases já produzidas pela humanidade:

"todo problema envolvendo o ser humano tem uma solução simples, clara e... equivocada". Veste feito

3 luva a questão do sistema penitenciário brasileiro: soluções que ao longo do tempo pareciam claras e

4 simples revelam-se agora completamente desastradas. Há cerca de quatro anos o signatário escreveu

5 que passaríamos a Rússia em número de pessoas presas se teimássemos na metodologia que divorcia a

6 cadeia da sociedade e separa a política penitenciária da política de segurança pública. Mais: a

7 condenação vem funcionando como vingança e ignora-se a necessidade de tratamento psicológico e

8 muitas vezes psiquiátrico da maioria dos trancafiados.

9 Vergonhosamente ultrapassamos a Rússia e já somos o terceiro país com maior número de

10 encarcerados (atrás da China e dos EUA).

11 O Brasil tem hoje 726,7 mil prisioneiros, o dobro em relação a uma década atrás. A

12 população carcerária feminina aumentou oito vezes em 17 anos e engloba 40 mil mulheres.

13 Mais grave: 40% do total dos institucionalizados são presos provisórios, detentos que ainda

14 nem foram julgados. Eis o equívoco de não unir a política de segurança à política penitenciária. Esses

15 40% se tornam facilmente soldados das facções criminosas, culpados ou inocentes que sejam, porque

16 precisam ceder ao crime organizado para sobreviverem nas cadeias. Vamos imaginar que 20%

17 recebam absolvição. Ao saírem da audiência, iniciarão a carreira na marginalidade porque já estão

18 cooptados pelas facções. É um absurdo um país manter cerca de 290 mil presos provisórios. Isso

19 responde a perplexidade de Benjamin Lessing, quando ele escreve: "me surpreende no Brasil a

20 facilidade com que as facções controlam a criminalidade nas ruas a partir da prisão. Isso ocorre porque

21 existe encarceramento em massa".

22 Vamos, agora, ao tratamento psicológico e psiquiátrico. Não estou, em hipótese alguma,

23 criminalizando enfermidades mentais - pelo contrário, o enfermo mental é geralmente vítima da

24 violência e não o seu promotor. Ocorre, porém, que a grande maioria dos presidiários apresentam

25 desordens psíquicas que carecem de tratamento - haja vista a compulsão da dependência química.

26 Equivocadamente, nosso sistema só considera que alguém precisa de tratamento quando o indivíduo

27 não é capaz de entender o seu ato criminoso. É um erro. Muitos presos, que sabem o que fazem,

28 também portam transtornos. O ministro do STF Alexandre de Moraes resume com exatidão: "no Brasil

29 prende-se muito mas prende-se mal". Vindo a crítica de um dos mais conceituados constitucionalistas

30 do País, parece óbvio que tal situação tem de ser revertida. Imediatamente. Não quero daqui a quatro

31 anos estar escrevendo que ultrapassamos a China. Mas acho que estarei.


CANÇADA, Elvira. “Prende-se muito. E mal”. In: ISTOÉ, ano 40, n.2505, p.28/29, 20 de dez 2017.

O fragmento que apresenta uma oração com função adjetiva é


A

“que ainda nem foram julgados.” (L.13/14).


B

“que sejam” (L.15).


C

“que as facções controlam a criminalidade nas ruas a partir da prisão” (L.20).


D

“que a grande maioria dos presidiários apresentam desordens psíquicas” (L. 24/25).