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Leia o texto para responder às questões de números 01 e 02.
Li na semana passada uma ficção bem como eu gosto, do tipo experimento mental: e se um dia todos os maiores de 22 anos no planeta recebessem uma caixa com os dizeres “a medida verdadeira da sua vida se encontra no interior”, contendo um fio indestrutível cujo comprimento os cientistas logo descobrem que prediz a duração da vida de cada um?
A ficção segue uma série de reorganizações a partir desse evento nas vidas dos personagens centrais, que vão se emaranhando, todas a partir de um confronto que francamente me deixa estupefata pelo seu tratamento como surpresa: a realidade da morte, mesmo para quem escolhe não abrir a caixa. Então as pessoas não sabem que vão morrer, todas, mais cedo ou mais tarde? É preciso um fio para lembrar isso? Sou só eu e mais uns poucos que vivemos com essa constatação em mente, sem nos esquecermos dela um único dia?
Sim, eu sofro de ansiedade crônica, mas a consciência da realidade da minha mortalidade não é parte da causa, e sim da solução. Acho reconfortante saber que nada é para sempre.
Talvez essa consciência seja uma parte fundamental da sabedoria que se ganha com o envelhecimento. Anos atrás, ouvi de uma colega neurocientista que o melhor benefício da idade era ela ter aprendido a dizer “não” sem culpa. Acho que agora eu entendo o que ela quis dizer.
Recusar o que levamos tantos anos aprendendo a fazer e a aceitar fazer é algo a que só nos acostumamos à força de experiência e muita “tentativa e erro”. Cabe na agenda? Cabe, mas não quero fazer, obrigada. Pode ir junto? Posso, mas não quero, obrigada. Consegue aturar gente chata? Consigo, mas não preciso, então não vou aturar, obrigada. Concerto com música estridente e todo mundo de pé, amontoado? Não preciso mais, obrigada.
A sensação de controle que acompanha a recusa consciente é um dos bens mais preciosos que se ganha com a experiência de vida.
Suzana Herculano-Houzel. Acho reconfortante saber que nada é para sempre. www1.folha.uol.com.br, 17.04.2023. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a expressão destacada é corretamente substituída pelo que está entre parênteses, segundo a norma-padrão de colocação e emprego de pronomes.
… e se um dia todos os maiores de 22 anos no planeta recebessem uma caixa… (recebessem-a).
um fio indestrutível cujo comprimento os cientistas logo descobrem que prediz a duração da vida de cada um? (prediz-la)
… um confronto que francamente me deixa estupefata pelo seu tratamento como surpresa: a realidade da morte, mesmo para quem escolhe não abrir a caixa. (abri-la)
Consegue aturar gente chata? Consigo, mas não preciso, então não vou aturar, obrigada. (aturar-lhe)
A sensação de controle que acompanha a recusa consciente é um dos bens mais preciosos… (acompanha-a)