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Leia o texto para responder às questões de números 04 a 09.
No começo, era apenas um convite aberto: será que Wim Wenders conseguiria fazer um projeto sobre um conjunto de banheiros públicos em Tóquio, projetados por alguns dos maiores arquitetos, como Tadao Ando e Shigeru Ban? O cineasta alemão, apaixonado pelo Japão, disse sim imediatamente. Chegando lá, Wenders se empolgou: e se, em vez de fotografias, documentário, curtas ou uma instalação, como era a ideia inicial, ele fizesse uma ficção?
Sua nova obra causou sensação no Festival de Cannes, saindo de lá com o prêmio de melhor atuação masculina para Kôji Yakusho, mesmo quase não tendo diálogos e celebrando as pequenas coisas da vida de um homem comum, um faxineiro.
O ator interpreta Hirayama, que, todos os dias, faz tudo sempre igual: acorda ao som da vizinha varrendo a rua antes de amanhecer, escova os dentes, rega as plantas, compra um café na máquina ao lado da sua casa simples e antiga, entra no carro, coloca uma fita cassete para ouvir e vai para o trabalho. Hirayama limpa, de forma respeitosa e meticulosa, banheiros públicos de Tóquio.
Para Wenders, o personagem simbolizava a ideia de bem comum presente na cidade, que um ano atrás começava a se abrir pós-pandemia. “As pessoas estavam de volta às ruas e, embora não fosse obrigatório, quase todas estavam de máscara”, disse ele em entrevista.
Wenders se lembrou de que, mais de 30 anos atrás, um amigo americano ficou surpreso com o uso de máscaras pelos japoneses, achando que temiam doenças. “Eu falei que ele estava interpretando mal os japoneses, que era para proteger os outros”, explica.
Em Berlim, onde vive, Wenders tinha ficado horrorizado com o retorno à vida social pós-pandemia. “Foi um desastre. As pessoas voltaram sem um senso de comunidade e, no Japão, acontecia o oposto. O bem comum era uma forma de celebrar a cola social. Era quase utópico”, afirmou.
Os banheiros públicos de Tóquio são um exemplo disso. No filme, dá para ver que, mesmo antes dos cuidados de Hirayama, eles são mais limpos do que qualquer banheiro de shopping no Brasil ou de restaurante da França. Kôji Yakusho passou por um treinamento, antes de encarnar o personagem, e afirmou ter se tornado um bom faxineiro. “Me falaram que, se um dia eu quiser um emprego, posso me candidatar”, disse, entre risos.
(Mariane Morisawa. Wim Wenders conta como pedido sobre banheiro público no Japão virou seu novo filme. www.estadao.com.br, 28.08.2023. Adaptado)
Quanto à regência verbal e nominal, está correta a frase com informações reescritas do texto:
O trabalho mais atual de Wenders suscitou grande impressão no Festival de Cannes.
Hirayama, todos os dias, escuta a uma fita cassete antes de chegar no trabalho.
Wenders não esquece da surpresa do amigo sobre o uso de máscaras no Japão.
Kôji Yakusho teve um treinamento e disse ter-se transformado a um hábil faxineiro.
“Me disseram que posso ser um candidato por um emprego, se um dia vier a querer”.