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Texto 1
Via láctea
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.
Fonte: Melhores poemas de Olavo Bilac, cit, p. 44
Nos poemas, normalmente há o objetivo principal de transmitir emoções, centradas nas subjetividades do eu-lírico. Logo, afirma-se que, nesses textos, há predomínio da função poética da linguagem. Contudo, além dessa função, é possível atestar que, no poema “Via láctea”, também são marcantes as funções:
metalinguística e referencial
referencial e expressiva
expressiva e conativa
conativa e fática