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Na linha 21, a palavra “caro” é um

Texto para as questões de 1 a 7.


1 Personagens muito comuns na capital do Império durante todo o século XIX, os caixeiros eram trabalhadores do

comércio, presentes nos balcões dos estabelecimentos e até nas casas dos patrões, organizando suas finanças. Identificados

cotidianamente como auxiliares do comércio, era comum ver caixeiros exercendo as mais variadas funções dentro desses

4 ambientes. No entanto, por mais que pareça, a classe caixeiral estava longe de ser um grupo homogêneo, e uma das suas

principais características é uma nítida hierarquia interna de funções.

Uma das peculiaridades da classe caixeiral reside na constante possibilidade de ascensão social, que era muito

7 divulgada na imprensa, de forma a reforçar e validar a relação dúbia de proximidade e dominação que os caixeiros tinham

com seus patrões. Este fenômeno se aplicava mais intensamente com os primeiros caixeiros e guarda‑livros, pois tinham as

maiores possibilidades de alcançarem seus empregadores, fosse formando uma sociedade, ou, até mesmo, se casando com

10 a viúva do falecido chefe, ou mesmo sua filha, e herdando seu negócio.

Com o intuito de aprofundar as possibilidades de ascensão social entre caixeiros, precisamos explicar como

funcionavam ambos os “caminhos” para o patronato. Para tal, iremos recorrer ao estudo de Fabiane Popinigis (1998, 16‑17)

13 sobre a peça O caixeiro da taverna, pois a trama principal da obra gira em torno das desventuras do primeiro‑caixeiro de

uma taverna para equilibrar seu casamento com seu plano pessoal de casar‑se com a sua patroa viúva e tornar‑se, enfim, o

patrão do estabelecimento. Ainda que revestido pela sua finalidade cômica, o texto nos permite inferir a existência de outras

16 situações análogas à do primeiro caixeiro Manuel. A sucessão do primeiro caixeiro como “herdeiro” de um estabelecimento

se explica pela proeminência deste nos negócios da casa, ou seja, uma vez que era ele quem, muitas vezes, efetivamente

organizava o funcionamento do local, era apenas natural que ele se tornasse o patrão após o falecimento de seu chefe.

19 No entanto, é a outra possibilidade de ascensão do caixeiro nos oferece mais ferramentas para analisarmos a

situação da classe. Para que um primeiro caixeiro fosse promovido a sócio de seu patrão, eram necessários muitos anos

de trabalho e muita confiança mútua. Aqui, entramos em um aspecto muito caro para o funcionamento da classe caixeiral,

22 a fidelidade. Lenira Martinho mostra a importância deste termo para a contratação de caixeiros, sendo muito comum nos

anúncios de jornais estudados por ela a presença de recomendações e atestados de confiança em vagas de caixeiros tentando

conseguir emprego (MARTINHO, 1993, 42). Adriano de Sousa (2018, 24) corrobora esta visão e nos ajuda a compreender

25 a utilização desses laços como forma de controle dos patrões com seus empregados. Segundo o autor, “a fidelidade ao

patrão era um elemento imprescindível ao caixeiro. Fidelidade aqui, diga‑se, tem um sentido de passividade, obediência e

lealdade para com seu empregador”. Além disso, o autor afirma que, algumas vezes, a possibilidade de uma sociedade era

28 mais arriscada do que benéfica ao caixeiro, pois muitos patrões impunham a condição de que o caixeiro recém‑promovido

só tivesse retornos financeiros quando conseguissem igualar seus capitais, o que poderia levar muitos anos, ou, ainda, que

recebesse apenas os valores que foram retidos em uma poupança obrigatória durante seus anos de trabalho.


Guilherme Gonçalves Oliveira

Na linha 21, a palavra “caro” é um


A

verbo.


B

substantivo.


C

adjetivo.


D

advérbio.


E

pronome.