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No primeiro parágrafo do texto, o termo “versão bastarda”...

01 Às vezes a gente não se dá conta, mas o mal-estar fica ali, triangulando entre cérebro,

02 estômago e boca: quer dizer que falamos errado? O idioma que aprendemos no berço não passa de

03 uma versão bastarda de certa língua para sempre estrangeira?

04 Me refiro ao estrago que a brigada de guardiães da "norma curta" faz à nossa autoestima

05 cultural e à qualidade do ensino de português em nossas escolas.

06 Para as patrulhas da norma-padrão, armadas de canetas vermelhas, o português brasileiro é um

07 coitado sem modos e cheio de vícios que não consegue largar, por mais cascudos que a gente

08 aplique em sua cabeça dura.

09 Usar "a gente" no lugar de "nós", como fiz na primeira linha da coluna e voltei a fazer na frase

10 anterior, é um dos sinais da suposta deterioração da língua que esses puristas extemporâneos

11 (século 21, oi!) gostam de apontar.

12 Na vida real, a gente adora falar "a gente". Sim, a gente briga, diz tanta coisa que não quer

13 dizer, mas "a gente" é uma coisa que a gente quase sempre quer dizer. Porque a gente não tem cara

14 de babaca — ou tem?

15 Verdade que, quando está escrevendo, a gente costuma se policiar. Ninguém quer perder ponto

16 na prova, caramba. Às vezes escapa um "a gente" escrito, mas não era pra escapar. A gente sabe

17 que no fundo está errado, que isso de "a gente" é um troço informal, tipo uma gíria, que não cabe

18 na norma culta, certo?

19 Errado. Ou melhor, a carga de informalidade de "a gente" é obviamente maior que a de "nós".

20 O que não faz sentido é tentar expulsar da norma culta tudo o que é informal, como se só coubesse

21 nela o livresco, o empertigado, o que fica distante da fala e se mete arranhando por ouvidos e

22 almas (...)

RODRIGUES, Sérgio. A gente é a língua que a gente fala. Folha de São Paulo. 16/03/2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2022/03/a-gente-e-a-lingua-que-a-gente-fala.shtml

No primeiro parágrafo do texto, o termo “versão bastarda” (linha 03) refere-se ao:


A

português culto.


B

português europeu.


C

português brasileiro.


D

português não-padrão.