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Sem prejuízo da correção e da coesão do texto, poderia ser...

Texto para as questões de 1 a 8.


1 Há um consenso, vindo principalmente do

mundo desenvolvido, de que os carros elétricos são o

futuro. Esses veículos, em princípio, poderiam atingir

4 neutralidade total de carbono, caso pudessem ser

recarregados a partir de fontes limpas. O problema é

que não é assim que a banda toca.

7 Ao plugar o carro na tomada, o consumidor está

transferindo energia da rede elétrica para a bateria, e

a chave para entender o real impacto sobre emissões

10 é saber como essa energia foi gerada. Um estudo

revelou que no Brasil, onde 85% da eletricidade vem

de fontes renováveis (e limpas), como as hidrelétricas,

13 alimentar um carro elétrico ao longo de dez anos

emitiria o equivalente a 17,6 toneladas de CO2. Já na

Bolívia, que tem quase 65% de sua eletricidade gerada

16 por combustíveis fósseis, alimentar esse mesmo carro

geraria 32,5 toneladas de CO2 — mais até do que um

veículo a gasolina, que emitiria 31,3 toneladas no

19 mesmo período de uso.

Essa diferença seria o fim da história, não fosse

outra tecnologia em uso no Brasil há muito tempo: os

22 biocombustíveis, em particular o etanol. O mesmo

estudo indica que a emissão média de um carro

movido a etanol, no Brasil, é de 12,1 toneladas de CO2-

25 equivalente a cada dez anos. Ou seja, menos até que

o carro elétrico!

É fato que os motores a etanol emitem um

28 bocado de poluentes. Mas boa parte disso é

compensada pela natureza renovável do sistema:

para produzir mais etanol, é preciso plantar cana, que

31 tira CO2 da atmosfera via fotossíntese. No balanço, a

conta fica bonita. E com a vantagem adicional de que

os carros flex e a disponibilidade ampla do etanol

34 fazem com que nossa grade de mobilidade já esteja

praticamente toda preparada para se beneficiar disso.

Contudo, esse também não é o fim da história.

37 Porque o balanço de carbono não é o único fator

envolvido. Nas grandes cidades, os motores a

combustão prejudicam a qualidade do ar e

40 aumentam a incidência de doenças respiratórias (um

problema que o carro elétrico não tem). Ademais, se

todo mundo aderir ao etanol, haverá combustível

43 para todos? Do outro lado, haverá apagão elétrico se

todo mundo abandonar os combustíveis fósseis e

plugar seus carros na tomada? Qualquer solução

46 racional, especialmente no caso do Brasil, envolverá

um mix. Para uso urbano, o carro elétrico parece

melhor; para viagens longas, etanol e outros

49 biocombustíveis são mais convidativos. Certeza, só

uma: precisamos cortar, em escala global, o uso dos

combustíveis fósseis.



Salvador Nogueira. Os carros elétricos são a única opção? In:

Superinteressante, ed. 441, julho de 2022 (com adaptações).

Sem prejuízo da correção e da coesão do texto, poderia ser isolado entre vírgulas o trecho


A

“para entender o real impacto” (linha 9).


B

“ao longo de dez anos” (linha 13).


C

“os motores a etanol” (linha 27).


D

“com a vantagem adicional” (linha 32).


E

“pela natureza renovável do sistema” (linha 29).