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Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10.
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
– dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
(PRADO, Adélia. Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1995, p.11.)
Sobre a grafia das palavras empregadas no poema, é correto afirmar que “pedigree” está escrita conforme a norma ortográfica porque:
Segue a regra de acentuação para paroxítonas terminadas em “e”.
Mantém a grafia arcaica da língua portuguesa, preservando seu radical latino.
É um estrangeirismo incorporado à língua portuguesa, mantendo sua grafia original.
Obedece à regra de formação de palavras compostas com origem em outros idiomas.
Apresenta o uso do dígrafo “ee” para indicar som aberto, típico do português europeu.