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A vírgula em “Mas este açúcar, não foi feito por mim.” (2ª...

Texto para responder às questões de 11 a 15.

O açúcar

O branco açúcar que adoçará meu café

nesta manhã de Ipanema

não foi produzido por mim

nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro

e afável ao paladar

como beijo de moça, água

na pele, flor que se dissolve na boca. Mas este açúcar,

não foi feito por mim.

Este açúcar veio

da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,

dono da mercearia.

Este açúcar veio de uma usina de açúcar em Pernambuco

ou no Estado do Rio

e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana

e veio dos canaviais extensos

que não crescem por acaso

no regaço do vale.

Em lugares distantes, onde não há hospital

nem escola,

homens que não sabem ler e morrem de fome

aos vinte e sete anos

plantaram e colheram a cana

que viraria açúcar.

Em usinas escuras,

homens de vida amarga

e dura

produziram este açúcar

branco e puro

com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.

(GULLAR, F. Toda poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980, p. 227-228.)

A vírgula em “Mas este açúcar, não foi feito por mim.” (2ª estrofe) é usada para:


A

Separar um aposto explicativo.


B

Indicar a omissão de um termo que seria repetido.


C

Marcar a ênfase de um termo deslocado na oração.


D

Sinalizar a intercalação de um elemento acessório na frase.