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Leia o texto 3 a seguir para responder as questões 08 e 09.
Texto 3
Da calma e do silêncio
Da calma e do silêncio
Quando eu morder
a palavra,
por favor,
não me apressem,
quero mascar,
rasgar entre os dentes,
a pele, os ossos, o tutano
do verbo,
para assim versejar
o âmago das coisas.
Quando meu olhar
se perder no nada,
por favor,
não me despertem,
quero reter,
no adentro da íris,
a menor sombra,
do ínfimo movimento.
Quando meus pés
abrandarem na marcha,
por favor,
não me forcem.
Caminhar para quê?
Deixem-me quedar,
deixem-me quieta,
na aparente inércia.
Nem todo viandante
anda estradas,
há mundos submersos,
que só o silêncio
da poesia penetra.
Fonte: EVARISTO, Conceição. Poemas da recordação e outros movimentos. Disponível em: https://www.culturagenial.com/poemas-de-conceicao-evaristo/ Acesso em 09 de fev. 2025)
No verso “Caminhar para quê?”, a palavra quê está acentuada, pois:
Obedece à regra de acentuação de pronomes exclamativos, que são sempre acentuados ao final de frases exclamativas.
É uma interjeição, com tonicidade forte, o que exige o acento gráfico para indicar sua ênfase.
Apresenta função de pronome interrogativo, que exige acentuação gráfica quando aparece em frases interrogativas diretas, com a tonicidade recai sobre a última sílaba.
É uma forma do verbo "querer", e o acento gráfico é usado para indicar a conjugação no presente do indicativo.
Se trata de uma conjunção, que exige o uso do acento gráfico em perguntas diretas.