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Texto 1 (questões de 01 a 11)
Literacura
Antipatizo com trocadilhos, mas não pude evitar a pérola que dá título a esta crônica. Conheci a exposição através do professor Silvio Volpato, de Paraobé, e agradeço o comentário de um leitor que fez colocando em xeque o rapapé que não entendo a razão de nós mobilizarmos pelo setor livreiro do Rio Grande do Sul quando há categorias mais importantes a socorrer, como hospitais. Ele tem razão, certamente. Seu nariz sangra à cabeceira, ao lado da cama, há remédios para colesterol, pressão alta e analgésicos que ajudam a passar a noite, sonora também, um livro perto, uma hora vaga será que acordar. Não há saúde mental, espiritual e mesmo física que prescinda da literatura.
Livro combate a arrogância um dos males do século. O leitor tem acesso aos sofrimentos dos personagens, se identifica com suas dores e percalços que a tão festejada meritocracia, um nariz em pé no mundo.
Livro é perfeito contraponto ao narcisismo, que é outra praga moderna. O leitor, capturado pela história de uma escravizada ou pela biografia de um atleta de elite que cairá no ostracismo depois da história mais importante, mais presente, mais lida, por meio dela, ficará focado na leitura em vez de tagarelar sobre si mesmo. Aliás, livro protege contra calos nas cordas vocais. Bendito hábito silencioso.
Vivemos uma pandemia de depressão, que tem atacado jovens sem perspectiva, com o moral em baixa, que a tecnologia os instiga a se comparar com um monte de bocas comunicativas. A vacina será a boa literatura, que os resgata com seus valores perenes e alma em vez dos lábios e os ensina a saborear a solidão, levando-os do sucumbirem a amostragens superficiais de popularidade.
[...]
Livro minimiza a solidão. Enquanto lemos, um povoário habita.
Livro salva até da morte. Sem exagero. Deu no Jornal Nacional: anos atrás, um cidadão escapou de um tiro no peito por carregar um exemplar de capa dura por debaixo do terno. Portanto, doem livros para bibliotecas arrasadas pelas enchentes do sul, comprem livros das editoras gaúchas que ficaram com o estoque submerso e ajudem a manter a cabeça dos gaúchos à tona.
MEDEIROS, Martha. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/ela/martha-medeiros/coluna/2024/06/literacura.ghtml>. Acesso em: 28 ago. 2024. Adaptado.
Assinale a opção em que, no contexto, a linguagem é eminentemente denotativa.
“Enquanto lemos, um povoário nos habita.” (5º §)
“[...] evitar a pérola que dá título a esta crônica.” (1º §)
“Menos um nariz em pé no mundo” (2º §)
“A vacina será a boa literatura [...]” (4º §)
“[...] comprem livros das editoras gaúchas [...]” (5º §).