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As orações subordinadas são aquelas que exercem uma função...

Texto para as questões de 1 a 20.

Bar doce bar


1 O dia é incansável e não termina. O sol ainda resiste e tinge de vermelho os olhos de quem ficou no boteco o dia todo.

O bar está cheio de homens, a maioria maduros ou apenas envelhecidos. Uma criança passa, compra duas balinhas e vai

embora. Mulheres passam o olho lá dentro e quase nunca entram. Para os bêbados de plantão, tudo é normal e sempre igual.

Não sei se são notados. Penso que são só por alguns. Há os que os cumprimentam. As pessoas se acostumam a

5 vê-los sempre ali, cartas marcadas, vidas marcadas. São os ex. Ex-maridos, ex-alunos, ex-trabalhadores. Agora são exilados

e se tornaram excluídos.

No passeio está o Tesourão, o cachorro que fez da rua sua moradia. O bêbado, o cão, rumos perdidos e solidão.

Nossos bares... Neles os amigos se encontram, jogam conversa fora. É onde uma mãe passa e compra um lanche para o filho.

Onde o retireiro toma um café fresco e saboreia um pastel quentinho.

10 Na praça histórica da pequena cidade, os bancos estão ocupados. São funcionários públicos, lavadores, balconistas.

São comerciantes, artesãos, pedreiros, motoristas. O dono do Sinuca, o bar mais antigo, enquanto vende, vai instruindo os

fregueses a desenrolar papéis: INSS, inventários, exames médicos. Às vezes ganha um frango em troca. Outras, um muito

obrigado. E sempre amizades. Se chega um forasteiro, dá dicas dos pontos turísticos. É um guia no balcão.

No bar do Dirceu, os aperitivos acompanham os desabafos dos bêbados. As rodas de viola dão o tom para o sol se

15 esconder de mansinho e dar lugar à lua tímida. Especial, especiaria, som saboroso para o fim do dia.

No outro bar, o balconista é ouvido por toda a praça. Daniel, voz estrondosa. Deve ser por isso que eu também

falo alto, herança dele, meu pai. Aquele jogo clássico reúne homens que cercam o balcão. Estão ansiosos demais para se

sentarem. Tudo é discutido, desde o gramado sintético até o gol irregular. As cadeiras esperam pacientes para o carteado.

Aconchegante, relaxante cantinho.

20 Cada boteco tem sua personalidade, seu carisma. Mas em dia de procissão todos eles cerram suas portas pedindo

bênção ao santo. Com respeito, as pessoas enfeitam as janelas de suas casas e a banda de música embala a legião de fiéis.

É bonito ver como o povo participa.

Nos bares o espaço é democrático. É onde as ideias de todo mundo são apresentadas e jogadas a todos os ouvidos. Em

volta de uma mesa, todo assunto se resolve: os problemas do mundo e tudo o mais. É a filosofia do botequim. Estamos falando

25 de uma tribuna popular. Quer debater? Pode ir lá. É política, futebol, bipolaridades. Ali é prestado o serviço de comunicação:

à boca pequena todos ficam por dentro das novidades. Quem chegou, quem partiu, morreu, brigou ou separou. Também eu

deixo meu rastro marcado e vou a um desses bares, apanho o meu Folha das Vertentes e, a passos largos, volto para casa

para ler a coluna do cronista, esse “poeta do cotidiano”.

O dia se vai assim e as portas só fecham depois de toda a cidade, tão calma, ter adormecido. E a rotina faz dali a

30 segunda casa de muitos homens. Bar doce bar. Ele exerce papel fundamental na cidadezinha. Nele todos se tornam iguais e

se unem para poder suportar a rotina do ilusório.


Internet: <https://www.escrevendoofuturo.org.br/> (adaptado).

As orações subordinadas são aquelas que exercem uma função sintática sobre outras. Considerando essa informação, assinale a opção em que apresenta oração subordinada destacada corretamente classificada.


A

“Não sei se são notados” – substantiva objetiva direta


B

"Penso que são só por alguns” – substantiva subjetiva


C

“Há os que os cumprimentam” – substantiva objetiva indireta


D

“o cachorro que fez da rua sua moradia” – substantiva predicativa