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Considerando as relações coesivas estabelecidas no texto...

Texto para as questões de 1 a 9.


1 Quem nunca se deparou com alguma antiga anotação e se frustrou por não conseguir entender a própria

caligrafia? A triste verdade: estamos esquecendo como escrever à mão!

Escrever à mão está entre as técnicas culturais mais importantes da evolução humana. Milhares de anos atrás,

4 as informações eram esculpidas em argila ou pedra, ou escritas com tinta em folhas de palmeira, pergaminho ou

papiro. Até a invenção da imprensa, a escrita à mão era a única maneira de registrar a linguagem em qualquer meio

que fosse.

7 A escrita mais antiga de que se tem conhecimento tem cerca de 5 mil a 6 mil anos: desenvolvida pelos sumérios

no atual Iraque, a escrita cuneiforme era utilizada na administração do comércio. Essa escrita pictórica consistia em

cerca de 900 pictogramas e ideogramas, ou seja, símbolos e sinais que eram riscados em tábuas de argila úmida com

10 pedaços de madeira. Com o tempo, essa "caligrafia" evoluiu para várias fontes e também para nosso alfabeto

moderno.

Ao contrário da fala, a escrita antigamente era reservada apenas a uma minoria: a nobreza, os intelectuais e os

13 comerciantes. O fato de tantas pessoas saberem ler e escrever hoje em dia é resultado da introdução da escolaridade

obrigatória no século XX.

Nestes tempos virtuais, nós nos limitamos a digitar em computadores e smartphones e, quando muito,

16 fazemos uma lista de compras ou poucas outras anotações à mão. Raramente — ou com certa relutância — nos

comunicamos por meio de canetas e papel, enquanto a comunicação por e-mails, mensagens de texto ou —

sobretudo entre os mais jovens — por mensagens de voz virou a regra.

19 Em plena era digital, agora nos parece extremamente tedioso escrever um texto mais longo à mão. Para que

um cartão de aniversário ou uma carta sejam escritos de forma particularmente bela, é necessário dedicar toda nossa

concentração.

22 Desde crianças, aprendemos a escrever à mão da forma mais correta e ordenada possível. Embora todas as

crianças aprendam as mesmas letras, a escrita de cada um é sempre muito particular. Durante a adolescência e o

início da fase adulta, nossa caligrafia costuma mudar significativamente, mas depois disso ela permanece

25 praticamente a mesma para a maioria das pessoas — cada um desenvolve uma caligrafia única.

Mas sem prática e controle, a caligrafia só tende a piorar. Problemas de caligrafia são há muito um problema

da sociedade como um todo, e não apenas dos estudantes, como muitas vezes se supõe. A caligrafia correta e legível,

28 afinal, passa por uma verificação na escola.

Ainda assim, a Associação Alemã de Educação e Formação vem há anos reclamando do declínio das

habilidades de escrita e do aumento dos déficits motores entre crianças em idade escolar. De acordo com o Estudo

31 sobre o desenvolvimento, os problemas e as intervenções na questão da caligrafia (STEP 2022), cada vez mais crianças

estão tendo dificuldades para escrever de forma rápida e legível. E os lockdowns e a prática de ensino domiciliar

durante a pandemia do coronavírus só pioraram a situação.

34 À medida que as pessoas envelhecem, durante a adolescência e no início da idade adulta, a caligrafia tende a

se tornar cada vez mais ilegível — também por causa da falta de prática e controle.

Digitar em um teclado é imbatível, especialmente para textos mais longos, pois a estrutura do texto pode ser

37 alterada conforme desejado. A correção automática também elimina erros banais, tornando a escrita mais rápida,

mais legível e menos cansativa.

A escrita à mão, por outro lado, desafia o cérebro mais do que a digitação e, portanto, promove o aprendizado.

40 Além disso, ao se escrever, o cérebro compara a escrita resultante com modelos aprendidos das letras e palavras e

ajusta a posição dos dedos em tempo real. Olhos e cérebro monitoram constantemente se os dedos estão segurando

a caneta corretamente, aplicando a quantidade certa de pressão, e se claras linhas são criadas ao escrever. Isso requer

43 uma coordenação muito precisa entre os processos visuais e motores. É essa combinação de informação visual e

processamento de informação que promove o aprendizado.

De fato, a escrita à mão é mais lenta do que a digitação, mas isso não é necessariamente uma desvantagem. A

46 lentidão natural nos obriga a processar informações de forma mais intensiva.

Resumimos o que ouvimos ou pensamos com mais clareza, destacamos palavras-chave ou citações concisas,

às vezes usamos setas ou marcadores para estabelecer conexões e, geralmente, nos envolvemos mais intensamente

49 com o conteúdo, retendo-o em nossa memória por mais tempo.

Internet: <https://g1.globo.com > (com adaptações).

Considerando as relações coesivas estabelecidas no texto, assinale a alternativa que associa, corretamente, uma expressão empregada no texto e o termo que ela retoma, respectivamente.


A

“disso” (linha 24): “o início da fase adulta” (linhas 23-24).


B

“ela” (linha 24): “a escrita de cada um” (linha 23).


C

“a situação” (linha 33): “a pandemia de coronavírus” (linha 33).


D

“isso” (linha 45): “a digitação” (linha 45).


E

pronome “o” em “retendo-o” (linha 49): “o conteúdo” (linha 49).