Leia o texto abaixo e responda às questões de 1 a 15.
Até 2035, a IA Vai Remodelar o Comportamento Humano e os Relacionamentos
Um novo relatório abrangente sugere que a inteligência artificial irá, fundamentalmente, transformar o desenvolvimento cognitivo e as relações sociais na próxima década
Federico Guerrini
16/04/2025
- Baseado em uma combinação de ensaios qualitativos e dados de pesquisa, o
- estudo Being Human in 2035, escrito pelos pesquisadores Janna Anderson e Lee
- Rainie, do Imagining the Digital Future Center, da Elon University, traz insights de
- 301 especialistas globais sobre como a integração da IA transformará a
- identidade humana e as estruturas sociais. Quase 200 desses especialistas
- escreveram respostas completas que foram incluídas no relatório.
- Os cientistas preveem, de forma quase unânime, mudanças enormes no
- comportamento e nas capacidades humanas até 2035. A maioria (61%) destaca
- que essas alterações serão “profundas e significativas” ou “fundamentais e
- revolucionárias”.
- Erosão das capacidades cognitivas e emocionais
- Um tema recorrente no relatório é a possível erosão de funções cognitivas
- essenciais. Metade dos especialistas ouvidos consideram uma possível
- diminuição na disposição e na capacidade de refletir profundamente sobre
- questões complexas. A conveniência oferecida por resumos gerados por IA,
- respostas automatizadas e decisões automáticas pode reduzir o pensamento
- crítico sobre as informações apresentadas.
- Esse enfraquecimento cognitivo vem acompanhado de preocupações com o
- desenvolvimento emocional. Metade dos especialistas antecipam uma queda na
- inteligência social e emocional, citando a substituição das interações humanas
- por relacionamentos mediados por IA como um fator decisivo. À medida que
- companheiros sintéticos se tornam mais personalizáveis e emocionalmente
- disponíveis, eles podem parecer preferíveis à natureza complexa — e, muitas
- vezes, confusa — dos relacionamentos humanos.
- “Parceiros românticos gerados por IA proporcionarão relacionamentos ‘ideais’
- que farão as parcerias humanas parecerem desnecessariamente difíceis”,
- escreveu Nell Watson, presidente do Escritório Europeu de Inteligência Artificial
- Responsável, em seu ensaio para o relatório. Essa mudança pode intensificar o
- isolamento e reduzir o desenvolvimento da empatia, especialmente entre os
- jovens.
- Com o tempo, a mercantilização da conexão humana pode induzir indivíduos a
- medir seu valor com base em critérios digitais, em vez de em qualidades
- humanas intrínsecas. “As pessoas terceirizarão suas interações a agentes de IA,
- que ficarão responsáveis por determinar a compatibilidade e decidir se vale a
- pena ou não se encontrar pessoalmente”, acrescentou Courtney C. Radsch,
- diretora do Center for Journalism & Liberty no Open Markets Institute, que
- também contribuiu para o estudo.
- Agência e autonomia sob ameaça
- Talvez a preocupação mais profunda, do ponto de vista filosófico, levantada no
- relatório, esteja relacionada à agência humana. 44% dos especialistas calculam
- uma redução na independência individual, muitos acreditam que a IA irá,
- sutilmente, enfraquecer nossa capacidade de tomar decisões autônomas. À
- medida que sistemas algorítmicos se tornam mais presentes em áreas como
- saúde, direito e finanças, o julgamento humano pode ser deixado de lado em
- favor de resultados baseados em dados.
- O risco aqui é duplo: além de possivelmente perderem a capacidade de agir de
- forma independente, os indivíduos talvez nem percebam essa mudança. A ilusão
- de controle — acreditar que estamos tomando decisões quando, na verdade,
- sistemas de IA estão nos influenciando — pode reforçar ainda mais a
- dependência de decisões externas.
- A integração da IA à vida cotidiana também desafiará as noções tradicionais de
- identidade e propósito. Trinta e nove por cento dos entrevistados antecipam uma
- transformação negativa na forma como os seres humanos percebem suas
- identidades e propósitos, em contraste com 18% que enxergam mais mudanças
- positivas do que negativas e 24% que veem os impactos igualmente distribuídos.
- Alguns preveem um senso fragmentado de identidade, ao passo que as pessoas
- equilibram múltiplas personas mediadas por IA nas plataformas digitais. Outros
- alertam que, com a onipresença da IA no trabalho e nos critérios de validação
- social, muitos enfrentarão uma crise de propósito.
- Polarização e perda da realidade compartilhada
- Outra tendência preocupante destacada no relatório é a perda da confiança em
- valores compartilhados e normas culturais. Quase metade dos entrevistados
- prevê um aumento da polarização e uma esfera pública fragmentada. Deepfakes,
- desinformação algorítmica e fluxos de conteúdo altamente personalizados podem
- corroer qualquer consenso sobre o que é verdadeiro ou real — o que também
- deteriorará o entendimento coletivo e a empatia.
- “Uma das preocupações mais importantes é a perda de conhecimento humano
- factual, confiável e amplamente compartilhado”, argumentou Giacomo Mazzone,
- diretor de projetos globais no Escritório das Nações Unidas para Redução de
- Riscos de Desastres.
- Essa perda da realidade compartilhada não é apenas uma questão técnica.
- Quando a verdade se torna relativa e as instituições perdem credibilidade, o
- contrato social que mantém comunidades e nações unidas começa a se desfazer.
- “Não há exemplos, na história humana, de sociedades que tenham sobrevivido
- por muito tempo sem uma verdade compartilhada”, acrescentou Mazzone.
- Apesar dessas preocupações, o relatório também carrega uma nota de otimismo.
- Alguns especialistas argumentam que a IA, se desenvolvida e regulamentada de
- forma ética, pode servir como uma ferramenta para ampliar as capacidades
- humanas — e não reduzi-las. Isso inclui potencializar o aprendizado, personalizar
- os cuidados com a saúde mental e fomentar a colaboração global.
- Com essa esperança, a consultora da Euromonitor, Rabia Rasmeen, sugeriu em
- sua resposta que “um novo Iluminismo humano poderia começar, graças a
- gêmeos digitais e outros agentes de IA que realizariam até seis horas de tarefas
- digitais por dia, permitindo que os humanos redirecionem essa energia para
- aspectos espirituais, emocionais e de vivência da vida”.
- No entanto, não é preciso ser especialista para saber que, quando a vida se torna
- fácil e confortável demais, é comum perder o senso de propósito e motivação, em
- vez de sentir vontade de alcançar novos patamares. Resta torcer para que a IA
- nos prove o contrário.
* O texto foi transcrito na íntegra tal qual o original.
Disponível em: https://forbes.com.br/forbes-tech/2025/04/ate-2035-a-ia-vai-remodelar-o-comportamento-humano-e-os-relacionamentos/. Acesso em: 25/04/2025.