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O velho poeta disse ao mais novo que a autoridade que hoje...

Atenção: Para responder às questões de números 6 a 10, baseie-se no texto seguinte.


[Poetas moços e velhos poetas]


Hoje vos entreterei, caros leitores, com certo aspecto da vida literária. Aqueles que fazem versos e já atingiram a idade madura costumam receber pedidos de outros que também fazem mas estão na casa dos vinte. Parece que é esse um dos prêmios (muito discutíveis) de envelhecer: ser solicitado pelos mais novos a dar opinião sobre os vagidos do talento.

A coisa se dá assim: o moço apresenta-se confiante, munido de seus versos; o "mestre" responde benévolo, paciente, minucioso, interessado em pormenores biográficos, ocultando sua vaidade sob um verniz de simpatia: "Escreva sempre, meu filho". A isto se chama vida literária.

Sendo a literatura fenômeno socializante por excelência, contudo permanece fenômeno individual quanto à produção. E eu vos pergunto: pode a experiência do mais idoso servir à hesitação do jovem, dissolvê-la em certeza, encaminhá-lo a rumo certo? A vida responde a tudo isso repetindo a situação: todos os dias moços fazem consultas e todos os dias os "maduros" atendem com indicações, conselhos, receitas de poesia.

É certo que cinco ou dez anos depois a receita foi esquecida e o mestre com ela. Sucede também que após esse lapso de tempo o mestre seja não apenas esquecido, mas negado. Ataca-se o mestre, descobre-se que ele não o é. Na força do adulto, vinga-se o homem das debilidades do período de crescimento físico e intelectual, negando o que adorara. Os mestres da poesia não escapam a essa contingência, e ao escreverem uma "carta ao jovem poeta" deveriam meditar bem na escolha das palavras e no prazo de validade do sortilégio.


(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. Passeios na ilha. São Paulo: Cosac Naify, 2011, p. 113-114)

O velho poeta disse ao mais novo que a autoridade que hoje este lhe reconhecia se dissiparia com o tempo, e que a admiração juvenil se converteria em desprezo.


Transpondo-se a passagem acima para o discurso direto, ficará: O velho poeta disse ao mais novo:


A

— Conquanto reconheça você hoje minha autoridade, será como desprezo que ela se dissipará ao ser tão juvenil.


B

— Reconheces em mim a autoridade de hoje, mas o tempo da tua admiração juvenil passará a me converter em desprezo.


C

— A autoridade que você hoje reconhece em mim dissipar-se-á com o tempo, e sua admiração de jovem se converterá em desprezo.


D

— Hoje, que a autoridade me está concedida, dissipa-se com o tempo, pois a jovialidade da admiração se tornará desprezível.


E

— Você agora me reconhece com autoridade, todavia ela se dissipará com o tempo, desprezando-se em sua admiração juvenil.